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sábado, maio 23, 2026

Justiça reclassifica morte de Guilherme Ferreira como homicídio doloso a pedido do Ministério Público

Caso do marceneiro morto por policial em SP será julgado por Tribunal do Júri

Justiça vê dolo em morte de Guilherme: A Justiça de São Paulo reclassificou nesta semana a morte de Guilherme Dias Santos Ferreira, de 26 anos, como homicídio doloso — quando há intenção de matar. A medida atende a um pedido do Ministério Público, que contestou a tipificação inicial feita pela Polícia Civil, que havia considerado o crime como homicídio culposo (sem intenção).

Guilherme, que trabalhava como marceneiro, foi morto no dia 4 de julho, na zona norte da capital paulista, ao ser atingido por um tiro na cabeça disparado por um policial militar à paisana, o soldado Fábio Anderson Pereira de Almeida, que alegou ter confundido a vítima com um criminoso.

Reviravolta no caso: de fiança a júri popular

Na abordagem inicial, o delegado do caso entendeu que se tratava de um erro de avaliação por parte do policial e indiciou Fábio por homicídio culposo. Com isso, o agente foi liberado mediante pagamento de fiança no valor de R$ 6.500.

Contudo, após análise mais profunda do caso, o Ministério Público de São Paulo solicitou a reclassificação do crime para doloso, sustentando que a ação do policial demonstra potencial intenção ou, ao menos, aceitação do risco de matar. A Justiça acatou o pedido no dia 11 de julho e determinou que o caso seja transferido para julgamento por Tribunal do Júri, instância competente para crimes dolosos contra a vida.

PM foi liberado, mas pode pegar até 20 anos de prisão

Com a nova classificação, o policial poderá responder por homicídio doloso simples, cuja pena varia de 6 a 20 anos de prisão. Mesmo com a mudança, o réu segue em liberdade até nova decisão judicial, já que o Ministério Público ainda não pediu a prisão preventiva.

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A defesa do soldado ainda não se manifestou publicamente após a decisão. Em entrevistas anteriores, sustentou que Fábio teria agido sob “forte tensão emocional” e acreditava estar diante de um assalto.

Família pede justiça e responsabilização

A morte de Guilherme gerou forte comoção social. Familiares e amigos da vítima vêm promovendo mobilizações e atos públicos exigindo justiça e responsabilização do policial.

Em nota, a Defensoria Pública de SP elogiou a reclassificação e afirmou que “é inadmissível que a execução de um trabalhador seja tratada como mero engano com penalidade branda”. O caso reacendeu debates sobre o uso da força por policiais fora do serviço e a responsabilização em casos de erro.

Veja também: PM de SP mata trabalhador por engano com tiro na cabeça após confundi-lo com assaltante.

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