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sábado, maio 23, 2026

PM de SP mata trabalhador por engano com tiro na cabeça após confundi-lo com assaltante.

 Guilherme Dias de 26 anos foi confundido com assaltante após sair do trabalho; polícia investiga caso como homicídio culposo

PM mata trabalhador por engano em SP: Na noite da última sexta-feira (5), o jovem Guilherme Dias dos Santos Ferreira, de 26 anos, foi morto com um tiro na cabeça disparado por um policial militar de folga, na Estrada Ecoturística de Parelheiros, zona sul de São Paulo. Guilherme estava saindo do trabalho — uma marcenaria — e caminhava até o ponto de ônibus quando foi alvejado. Ele não possuía nenhum antecedente criminal.

O PM responsável, Fábio Anderson Pereira de Almeida, alegou que havia sido alvo de uma tentativa de assalto por dois homens em uma moto, e que Guilherme teria “reagido de forma suspeita”, o que o levou a atirar. No entanto, testemunhas e os objetos encontrados com a vítima — marmita, celular, carteira e um livro — não indicam qualquer relação com o suposto crime.

Vítima confundida: erro fatal e revolta

O caso foi inicialmente registrado como homicídio culposo (sem intenção de matar), e o PM chegou a ser preso em flagrante, mas foi liberado após pagar fiança de R$ 6,5 mil. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) determinou o afastamento imediato do agente e iniciou um inquérito para apurar os fatos.

No entanto, o ouvidor da Polícia do Estado, Mauro Caseri, criticou duramente a tipificação inicial. Em entrevista à Folha de S.Paulo, afirmou que “não se mata por engano” e classificou o disparo como dolo eventual, já que o PM teria violado os protocolos de identificação e abordagem antes de abrir fogo.

Reação nas redes sociais e comoção pública

Hashtags pedem justiça: “Guilherme voltava pra casa, não cometia crime”

A morte de Guilherme gerou comoção nas redes sociais, onde internautas e ativistas dos direitos humanos levantaram as hashtags #JustiçaPorGuilherme e #VidasNegrasImportam. Muitos usuários lembraram que o jovem havia saído do expediente às 22h28, e que o tiro foi disparado cerca de sete minutos depois, segundo relatos de testemunhas.

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Diversas publicações citaram o racismo estrutural como fator agravante no caso. Guilherme era homem negro, morador da periferia, e retornava para casa com vestígios claros de um dia comum de trabalho — fato confirmado pelos colegas da marcenaria e por vídeos de circuito interno.

O que diz a SSP-SP e quais os próximos passos

Investigação continua e PM pode responder por homicídio doloso

A SSP-SP confirmou que não foram encontrados indícios de participação de Guilherme em qualquer ação criminosa e que os laudos periciais, balísticos e testemunhais estão sendo colhidos. Caso surjam elementos que comprovem imprudência agravada ou dolo eventual, o caso pode ser reclassificado para homicídio doloso, com penas mais severas previstas.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) assumiu a investigação, e o Ministério Público deve acompanhar o caso nos próximos dias. Entidades como a Defensoria Pública de SP e a Conectas Direitos Humanos já manifestaram intenção de acompanhar o inquérito e oferecer apoio à família da vítima.

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