Parceria estratégica pode beneficiar até 80% das exportações da Argentina aos EUA, enquanto Brasil enfrenta tarifa de 50%
Acordo Argentina-EUA prevê tarifa zero: O presidente da Argentina, Javier Milei, está em estágio avançado de negociações com o governo dos Estados Unidos para obter isenção tarifária em produtos exportados ao mercado norte-americano. O acordo, ainda não formalizado publicamente, prevê tarifa zero para cerca de 100 produtos argentinos, que representam entre 70% e 80% de todas as exportações do país aos EUA.
As tratativas vêm ocorrendo desde abril, após a adoção da tarifa-base de 10% imposta pelos EUA a diversos países como parte da política de “tarifas recíprocas” do presidente Donald Trump. Ao contrário do Brasil, que foi alvo de uma tarifa especial de 50% em julho, a Argentina optou por uma estratégia diplomática para evitar sanções econômicas, demonstrando alinhamento comercial e regulatório com Washington.
Lista inclui vinhos, limões e produtos têxteis
Fontes ligadas ao Itamaraty argentino revelaram que a lista de produtos em negociação inclui itens como vinhos, limões, algodão, produtos têxteis e alimentícios, que compõem a maior parte do volume exportado para o mercado americano. A exceção são produtos estratégicos como aço e alumínio, que continuam sujeitos a tarifas elevadas — podendo chegar a 50%, conforme políticas setoriais dos EUA.
Segundo o portal La Derecha Diario, o pacote já foi aprovado de forma confidencial por Trump, e um anúncio formal é esperado até o dia 1º de agosto, data em que as tarifas de exceção começarão a ser revistas pelo governo norte-americano.
Milei: “Argentina vai adequar normas à proposta americana”
Durante um evento em Miami, no início de abril, Milei declarou que seu governo estava disposto a adequar a legislação argentina às exigências de reciprocidade tarifária dos EUA. “Nosso compromisso é com o livre comércio, com respeito às regras e com o fortalecimento das relações bilaterais”, afirmou o presidente argentino.
O chanceler Gerardo Werthein também esteve em Washington no mesmo mês para reuniões com o Departamento de Estado e o Escritório do Representante Comercial dos EUA. Fontes diplomáticas confirmaram que os termos técnicos e regulatórios do acordo já estão redigidos, restando apenas a assinatura e publicação oficial do documento.
Estratégia pragmática contrasta com a do Brasil
O contraste entre a abordagem argentina e a brasileira é notável. Enquanto a Argentina buscou o diálogo e aceitou condições comerciais impostas pelos EUA, o Brasil foi surpreendido com a imposição de tarifas de 50% sobre todas as suas exportações, uma decisão anunciada por Trump em 9 de julho e interpretada como retaliação política ao governo de Lula.
Especialistas apontam que o acordo argentino pode não apenas fortalecer a relação bilateral com os EUA, mas também atrair investimentos internacionais ao país vizinho, que tenta se recuperar de uma longa crise econômica.
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