Operação Militia revela esquema criminoso dentro das forças de segurança; grupo teria arrecadado mais de R$ 500 mil com ações ilegais
Policiais presos em milícia: A capital amazonense amanheceu em alerta nesta terça-feira (29), após a deflagração da Operação Militia, coordenada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), que resultou na prisão de oito policiais militares e um perito criminal da Polícia Civil. Os alvos são suspeitos de integrar uma milícia armada envolvida em roubos, sequestros e extorsões na periferia de Manaus.
A operação cumpriu 32 mandados judiciais, incluindo prisões temporárias e busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Criminal da Capital. Os investigados usavam viaturas descaracterizadas, uniformes táticos e até balaclavas para realizar abordagens ilegais em bairros como Redenção, Cidade Nova e Jorge Teixeira.
Como a milícia agia nas ruas da capital
O grupo atuava sob a fachada de policiamento oficial, mas na prática praticava crimes contra civis e até contra criminosos locais. Em um dos casos investigados, os milicianos abordaram uma vítima com armas de fogo, a sequestraram em plena luz do dia e só a libertaram após receberem valores superiores a R$ 300 mil, entre dinheiro, veículos e transferências eletrônicas.
Um dos trechos mais chocantes da investigação, segundo o MP-AM, mostra o uso de contas em plataformas digitais como PagSeguro e Pix para disfarçar os valores extorquidos. Em outro caso, a vítima foi forçada a transferir R$ 30 mil sob coação e ameaça de morte.
Armamento pesado, munições e dinheiro apreendidos
Durante a operação, foram apreendidas:
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14 pistolas, 4 fuzis, 1 revólver
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Mais de 600 munições de diversos calibres
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14 celulares, 3 veículos, além de
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R$ 10.695 em espécie
O armamento será periciado e confrontado com registros balísticos de crimes anteriores, para verificar se foram usados em execuções ou assaltos na capital.
Declarações oficiais e investigações internas
O coronel Klinger Paiva, comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, declarou que os envolvidos “não representam a corporação” e garantiu que será instaurado processo disciplinar para apurar eventual expulsão dos militares. Ele também reafirmou o apoio institucional à operação do Ministério Público.
O perito criminal da Polícia Civil, que havia sido detido temporariamente, foi liberado após prestar depoimento e alegar desconhecimento da movimentação suspeita em sua conta bancária, usada em uma das extorsões.
Repercussão nas redes e desdobramentos esperados
No X (antigo Twitter), internautas expressaram indignação e preocupação com a infiltração de criminosos em cargos de confiança pública. Muitos questionam como uma estrutura paramilitar pôde operar por tanto tempo sem ser detectada. Especula-se que mais agentes possam estar envolvidos ou que o grupo tenha ligações com o crime organizado.
O MP-AM não descarta novas fases da operação, que continua em sigilo parcial. A expectativa é que o material apreendido traga novos nomes à tona nos próximos dias.]
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