Deputada foi condenada a 10 anos pelo STF e fugiu do país após decisão; Ministério da Justiça confirma prisão em Roma
Zambelli presa na Itália: A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta segunda-feira (29) na cidade de Roma, na Itália, após figurar na lista vermelha da Interpol. A informação foi confirmada oficialmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil. Ela estava foragida desde junho, após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de reclusão por crimes relacionados à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Entenda o caso: condenação e fuga do Brasil
A parlamentar foi condenada em maio de 2025 por envolvimento direto com o hacker Walter Delgatti Neto, que invadiu os sistemas do CNJ a mando de Zambelli, segundo os autos do processo. Entre os documentos adulterados, estava até mesmo um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, o que agravou a pena imposta pelo STF.
Logo após a decisão do Supremo, Zambelli deixou o Brasil, o que foi interpretado pelas autoridades como uma tentativa de fugir da aplicação da pena. Em junho, ela foi incluída na lista vermelha da Interpol, mecanismo que facilita a localização e detenção de foragidos da Justiça em território internacional.
Prisão na Itália e o processo de extradição
Segundo o comunicado do Ministério da Justiça, Zambelli foi localizada em Roma e se entregou às autoridades italianas após negociações com representantes da Polícia Federal e da Interpol. Ela foi imediatamente levada para custódia e deve agora enfrentar o processo de extradição, conforme os acordos bilaterais entre Brasil e Itália.
Fontes ligadas ao Itamaraty afirmam que o governo brasileiro já protocolou o pedido formal de extradição, e o caso agora depende da Justiça italiana. O processo pode levar semanas ou até meses, caso haja recurso por parte da defesa.
Reações políticas e redes sociais em ebulição
A prisão repercutiu fortemente no cenário político e nas redes sociais. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro acusaram o STF de “perseguição política”, enquanto opositores comemoraram o que chamam de “vitória da Justiça e da democracia”.
Entre as especulações nas redes, muitos usuários apontaram que a cidadania italiana de Zambelli pode atrasar o processo de extradição, pois ela poderá recorrer judicialmente à Justiça local para permanecer no país. Especialistas, porém, afirmam que o fato de ela ter se entregado voluntariamente pode acelerar sua devolução ao Brasil.
O que acontece agora?
Com a prisão oficializada, Carla Zambelli aguarda em território italiano a tramitação do processo de extradição. Se retornada ao Brasil, ela deverá começar a cumprir a pena de 10 anos de prisão em regime fechado, conforme decisão do STF. O caso representa um marco jurídico e político, evidenciando o alcance internacional da cooperação policial e a rigidez das decisões do Supremo contra parlamentares condenados.
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