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sábado, maio 23, 2026

Investigado na “Farra do INSS” celebra lucros em culto e atribui sucesso à “mão de Deus”

Empresário apontado pela Polícia Federal comemorou ganhos de entidade suspeita de fraudar descontos de aposentados durante testemunho em igreja de Alphaville

Investigados na Farra do INSS celebra lucros na igreja: Um dos investigados pela Polícia Federal na operação conhecida como “Farra do INSS”, o empresário Felipe Macedo Gomes, chamou atenção ao celebrar os supostos lucros de sua empresa durante um culto na igreja Sete Church, em Alphaville (SP). No evento religioso, Felipe afirmou diante dos fiéis que o sucesso financeiro da entidade que preside foi resultado direto da fé e do pagamento de dízimos.

Durante o testemunho, o empresário relatou que, após começar a contribuir financeiramente com a igreja em setembro de 2022, sua receita teria aumentado 25%, o que, segundo ele, representava “a mão de Deus” atuando em seus negócios. Felipe também mencionou que o crescimento da empresa ocorreu em meio a dificuldades econômicas, destacando que “mesmo nos momentos de aperto, permaneceu fiel à contribuição espiritual”.

A celebração, no entanto, repercutiu negativamente nas redes sociais após vir à tona que o empresário e seus sócios são alvos de investigação federal por envolvimento em fraudes milionárias no sistema de descontos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Entidade sob investigação movimentou R$ 143 milhões

Felipe Macedo Gomes é presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), instituição que firmou convênios com o INSS para realizar descontos automáticos em benefícios previdenciários. Segundo dados da Controladoria-Geral da União (CGU), a ABCB arrecadou R$ 143,2 milhões entre 2022 e 2024, valor que agora está sob análise da Polícia Federal.

A operação da PF apura se parte desses descontos foi feita sem autorização dos aposentados, configurando fraude e apropriação indevida de valores públicos. As investigações indicam que a entidade utilizava acordos de “benefícios” para justificar as cobranças, que eram direcionadas a aposentados e pensionistas em todo o país.

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Felipe e outros sócios, identificados como Américo Monte e Anderson Cordeiro, aparecem no inquérito como beneficiários diretos da estrutura financeira da ABCB. Apesar disso, o empresário segue afirmando que seus ganhos são legítimos e fruto de fé e trabalho, mantendo discurso religioso em meio à crise judicial.

PF investiga rede de fraudes e uso de instituições religiosas

A Polícia Federal não divulgou detalhes sobre a ligação entre os investigados e instituições religiosas, mas confirmou que o foco da operação está em identificar esquemas de desvio de recursos de beneficiários do INSS. Autoridades apuram se os investigados usaram igrejas e clubes de benefícios para movimentar valores e ocultar a origem do dinheiro obtido de forma ilícita.

O Ministério Público Federal acompanha o caso e avalia se há indícios de lavagem de dinheiro ou conluio empresarial. Segundo fontes próximas à investigação, a operação já apreendeu documentos e registros bancários que podem comprovar o fluxo irregular de valores entre empresas e entidades de fachada.

Repercussão pública e críticas à postura do empresário

O testemunho de Felipe Macedo viralizou nas redes sociais, provocando reações indignadas. Internautas criticaram o fato de o empresário celebrar ganhos investigados pela PF dentro de um templo religioso, apontando que o discurso de “vitória espiritual” pode ter sido uma tentativa de legitimar lucros questionados pela Justiça.

Alguns comentários ironizaram o episódio, dizendo que “até os milagres têm CNPJ”, enquanto outros pediram que o Ministério Público investigue o possível uso da fé como ferramenta de autopromoção em meio a escândalos financeiros.

Analistas em ética pública alertam que o caso ilustra como o discurso religioso pode ser manipulado para suavizar a percepção pública de crimes financeiros, especialmente quando envolve figuras empresariais com influência comunitária.

Veja Também: Documentos do INSS mostram que 70% das entidades que fizeram descontos de aposentados repassaram dinheiro a operadores da “farra”

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