Documentos revelam contratos suspeitos entre associações, lobistas e empresas de biometria sob investigação
Farra do INSS: 70% das entidades suspeitas: Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) e documentos obtidos junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelaram que 70% das entidades que descontaram valores diretamente da aposentadoria de beneficiários mantinham contratos com lobistas, operadores e empresas de biometria já investigadas por participação na chamada “Farra do INSS” — um esquema que desviou bilhões de reais de aposentados em todo o país.
Os dados mostram que 27 das 40 entidades com Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados com o INSS repassaram recursos a grupos suspeitos. Esses contratos serviam para formalizar descontos mensais automáticos sob a justificativa de filiação a associações e sindicatos — que, em muitos casos, os beneficiários desconheciam completamente.
Fraudes e biometria irregular
Segundo relatórios da CGU, parte das entidades apresentou documentos com fotos de RG xerocadas e assinaturas digitais falsas para justificar as autorizações de desconto. Em outros casos, sistemas de biometria facial foram utilizados sem validação real dos aposentados, permitindo que falsos cadastros fossem aprovados no sistema oficial.
Os técnicos identificaram também que as mesmas empresas de biometria operavam para diferentes associações, levantando suspeitas de um conluio entre entidades e fornecedores para simular regularidade nos contratos.
Em entrevista coletiva, a CGU confirmou que há indícios de falsificação em massa, o que pode configurar estelionato, falsidade ideológica e associação criminosa.
“Os documentos demonstram que muitos descontos foram realizados sem qualquer autorização válida. Isso é um atentado contra o patrimônio de aposentados vulneráveis”, afirmou um auditor da CGU.
Esquema bilionário e impacto nacional
A operação Sem Desconto, deflagrada pela CGU e pela Polícia Federal em abril de 2025, apurou que mais de R$ 6,3 bilhões foram subtraídos de aposentados e pensionistas por meio de descontos indevidos em folha de pagamento.
De acordo com o relatório, 97% dos beneficiários entrevistados negaram ter autorizado qualquer filiação ou desconto.
Os estados com maior número de reclamações são São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pará, mas há registros em todas as regiões do país.
As investigações apontam que os operadores do esquema recebiam comissões de entidades que descontavam diretamente dos aposentados, em troca de manutenção dos ACTs junto ao INSS.
O mecanismo funcionava como uma engrenagem institucionalizada de fraudes, com participação de lobistas experientes e servidores públicos coniventes.
O que dizem as autoridades
O INSS afirmou, em nota oficial, que vem revisando todos os acordos de cooperação e já suspendeu as entidades com indícios de irregularidades.
A CGU reforçou que novas fases da operação estão em andamento, incluindo cruzamento de dados bancários e fiscais das associações e empresas envolvidas.
Enquanto isso, o Ministério Público Federal (MPF) avalia a abertura de uma ação civil pública para garantir o ressarcimento integral dos valores descontados indevidamente.
“A apuração está avançando. Haverá responsabilização e punição exemplar dos envolvidos”, declarou um procurador que acompanha o caso.
Repercussão e especulações nas redes
Nas redes sociais, o escândalo reacendeu o debate sobre a fragilidade dos mecanismos de controle do INSS.
Internautas cobram punição severa aos envolvidos e questionam se políticos e servidores de alto escalão teriam facilitado a assinatura dos acordos suspeitos.
Outros comentários especulam que parte das empresas de biometria teria recebido contratos emergenciais com outros órgãos públicos, mesmo após denúncias — o que aumenta as suspeitas sobre influência política e tráfico de influência no esquema.
Apesar das teorias, nenhum nome de autoridade foi formalmente citado até o momento nas investigações em curso.
Próximos passos e medidas de reparação
A CGU e a Polícia Federal seguem analisando mais de 2 terabytes de dados coletados em computadores e celulares de operadores e dirigentes de entidades.
O INSS também anunciou que lançará um novo protocolo de validação biométrica com rastreamento automatizado, para impedir fraudes semelhantes no futuro.
O governo federal avalia ainda a criação de um canal permanente de denúncia, destinado a aposentados que desejarem verificar autenticação de descontos realizados em seus benefícios.
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