Designer de 43 anos sobrevive, mas segue internada sob acompanhamento médico
Cegueira após metanol SP: A designer de interiores Radharani Domingos, de 43 anos, relatou ter ficado cega após beber três caipirinhas com vodca em um bar localizado nos Jardins, bairro nobre da capital paulista.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o caso está entre as seis internações confirmadas por suspeita de intoxicação por metanol, substância altamente tóxica e proibida para consumo humano.
O governo de São Paulo também confirmou três mortes provocadas pelo mesmo tipo de contaminação na região metropolitana, o que levou as autoridades a abrir uma ampla investigação sobre a origem das bebidas adulteradas.
Sintomas começaram poucas horas após o consumo
De acordo com o relato da própria Radharani, o mal-estar começou poucas horas depois do consumo das caipirinhas. Ela descreveu forte dor de cabeça, enjoo e visão embaçada, que evoluíram rapidamente para perda total da visão no dia seguinte.
Os médicos confirmaram que a paciente sofreu intoxicação por metanol, composto químico usado ilegalmente na adulteração de bebidas alcoólicas por ser mais barato que o etanol.
“Eu nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer. Achei que era uma simples enxaqueca, mas quando percebi, não enxergava mais nada”, declarou a designer aos profissionais de saúde.
O que é o metanol e por que é tão perigoso
O metanol é uma substância inflamável e altamente tóxica, normalmente usada em produtos industriais, como solventes e combustíveis. Quando ingerido, o corpo humano o converte em formaldeído e ácido fórmico, substâncias que destroem o nervo óptico e podem causar cegueira irreversível ou até morte.
Estudos indicam que a ingestão de apenas 30 mililitros (equivalente a duas colheres de sopa) pode ser suficiente para causar danos permanentes.
Radharani deixa a UTI, mas segue internada
Após dias em estado grave, Radharani deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas permanece internada em um hospital da capital.
Segundo familiares, o quadro clínico dela é estável, mas a visão não foi recuperada. Os médicos afirmam que os danos ao nervo óptico são irreversíveis, e o tratamento atual busca apenas estabilizar possíveis sequelas neurológicas e hepáticas.
A paciente agora passa por reabilitação e acompanhamento psicológico, além de receber apoio de grupos especializados em deficiência visual.
Investigações sobre a origem da bebida adulterada
A Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para investigar o bar onde as bebidas foram servidas. Amostras de vodca e de caipirinhas apreendidas no local apresentaram traços de metanol em análise laboratorial.
As equipes da Vigilância Sanitária e do Procon-SP realizam inspeções em bares, adegas e distribuidoras da região, com o objetivo de identificar possíveis fornecedores irregulares.
O governo estadual também notificou a Anvisa e solicitou apoio federal para rastrear os produtos suspeitos em outros estados.
Três mortes e alerta em todo o estado
Até o momento, o governo de São Paulo confirmou três mortes causadas por intoxicação por metanol, além de outras vítimas internadas em estado grave.
Os casos foram registrados na capital e em cidades da Grande São Paulo, como Santo André e São Bernardo do Campo.
A Secretaria de Saúde reforçou o alerta à população, recomendando que somente bebidas de procedência garantida sejam consumidas, e que consumidores desconfiem de preços muito abaixo do mercado.
Repercussão e cobrança por punições
O caso da designer gerou comoção e revolta nas redes sociais. Internautas pedem punições exemplares aos responsáveis e maior rigor na fiscalização de bares e distribuidores.
Toxicologistas afirmam que o metanol é praticamente indetectável pelo paladar ou olfato, tornando impossível identificar a contaminação sem análise laboratorial.
Profissionais da saúde reforçam que, ao menor sinal de tontura, visão turva ou enjoo após consumo de álcool, o ideal é procurar atendimento médico imediato.
O que pode acontecer a seguir
A investigação deve apontar se houve negligência ou crime contra a saúde pública. Caso confirmada a adulteração dolosa, os responsáveis podem responder por homicídio qualificado, com penas que ultrapassam 20 anos de prisão.
Enquanto isso, Radharani segue em tratamento e busca adaptar-se à nova rotina sem visão. Familiares e amigos iniciaram uma campanha nas redes sociais alertando sobre os riscos de bebidas falsificadas.
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