Jovem estava internada em Manaus desde segunda-feira (7), mas não resistiu aos ferimentos
Eliza Nobre é morta em Maués: A estudante Eliza dos Santos Nobre, de 17 anos, morreu na última quinta-feira (10) após passar quatro dias internada no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, em Manaus (AM). Ela havia sido baleada na cabeça na madrugada de segunda-feira (7), no bairro Donga Michiles, município de Maués, distante cerca de 276 km da capital amazonense.
Segundo informações da Polícia Civil do Amazonas, o principal suspeito do crime é o ex-companheiro da vítima, um homem de 21 anos, que foi preso em flagrante ainda no local do disparo. Ele alegou inicialmente que o tiro teria sido acidental, mas as investigações apontam para a ocorrência de feminicídio.
Eliza foi atingida dentro de casa
O crime aconteceu por volta das 2h da madrugada. Conforme testemunhas, o suspeito e Eliza estavam sozinhos em uma residência quando o disparo foi efetuado. A jovem foi socorrida às pressas e transferida para Manaus em estado gravíssimo, mas não resistiu aos ferimentos.
A mãe da vítima informou às autoridades que a filha já havia encerrado o relacionamento com o autor do disparo, mas ele continuava tentando retomar o vínculo. A polícia investiga se havia histórico de violência ou ameaças anteriores.
Suspeito está preso e será indiciado por feminicídio
A 48ª Delegacia Interativa de Polícia de Maués instaurou inquérito e trabalha com a principal hipótese de feminicídio. O suspeito permanece detido preventivamente, à disposição da Justiça. O delegado responsável pelo caso, que não teve o nome divulgado, confirmou que as contradições no depoimento do acusado e a posição do ferimento foram determinantes para afastar a tese de suicídio ou acidente.
“As provas indicam claramente um ato de violência intencional. A investigação vai esclarecer a motivação e as circunstâncias exatas do crime”, afirmou um investigador ligado ao caso.
Comunidade reage com indignação
A morte de Eliza gerou forte comoção em Maués. Nas redes sociais, familiares e amigos prestaram homenagens à jovem, lembrando-a como uma estudante dedicada, sonhadora e alegre. Movimentos sociais e entidades locais organizaram atos simbólicos contra a violência doméstica, pedindo justiça e mais ações de prevenção ao feminicídio no interior do estado.
Dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) mostram que o número de feminicídios no estado aumentou 28% no primeiro semestre de 2025, com casos concentrados não apenas em Manaus, mas também em cidades do interior como Itacoatiara, Parintins e Maués.

