Dados oficiais revelam que pagamentos irregulares do BPC superam R$ 16 bilhões entre 2019 e 2025
BPC tem rombo 3x maior que INSS: Uma auditoria interna do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelou que o rombo causado por pagamentos indevidos no Benefício de Prestação Continuada (BPC) entre 2019 e 2025 chega a impressionantes R$ 16,4 bilhões. O valor é quase três vezes maior que o registrado na chamada “farra dos descontos indevidos”, investigada pela Operação Sem Desconto, que apura R$ 6,3 bilhões de prejuízos aos aposentados e pensionistas.
As informações foram divulgadas pelo jornal Metrópoles com base em dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), revelando uma nova dimensão de descontrole e fragilidade nos mecanismos de fiscalização dos benefícios sociais concedidos pelo governo federal.
Pagamentos indevidos no BPC ultrapassam R$ 16 bilhões
O levantamento aponta que, entre 2019 e 2025, o INSS registrou cerca de R$ 13,3 bilhões em pagamentos indevidos já comprovados, além de outros R$ 3 bilhões com irregularidades parciais. Os dados correspondem a processos administrativos finalizados ou em fase avançada de apuração.
O BPC é um benefício assistencial previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), concedido a idosos com 65 anos ou mais ou pessoas com deficiência de baixa renda, no valor de um salário mínimo por mês. Por não exigir contribuição prévia ao INSS, o benefício depende unicamente de critérios socioeconômicos — o que torna o sistema vulnerável a fraudes e erros de concessão.
Descontos ilegais no INSS também somam bilhões, mas em menor escala
A chamada “farra do INSS”, por sua vez, foi revelada em 2023 pela Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e do Ministério da Previdência. O esquema envolvia descontos indevidos em contracheques de aposentados e pensionistas, destinados a sindicatos, associações e clubes, muitas vezes sem autorização dos beneficiários.
Embora o escândalo tenha gerado grande repercussão, os valores apurados até agora somam R$ 6,3 bilhões, sendo consideravelmente menores do que os prejuízos acumulados no BPC.
Governo promete mais rigor, mas auditorias ainda são limitadas
Em resposta à repercussão, o INSS afirmou que tem ampliado cruzamentos de dados com outros bancos de informações para reduzir fraudes, como o uso do Cadastro Único (CadÚnico), registros do Bolsa Família, Receita Federal e TSE. No entanto, menos de 10% dos benefícios ativos passam por revisão detalhada a cada ano, o que compromete a efetividade das medidas de controle.
Segundo especialistas, a falta de estrutura técnica e de servidores qualificados é um dos principais entraves à fiscalização eficaz dos programas assistenciais.
“O problema não está apenas nas fraudes deliberadas, mas também na concessão indevida por falha administrativa, o que exige modernização urgente do sistema”, explica o auditor federal Vinícius Soares.
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