Ex-presidente se pronuncia após imposição de medidas cautelares e causa tumulto ao sair de reunião com parlamentares
Bolsonaro exibe tornozeleira e critica STF: O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) exibiu uma tornozeleira eletrônica durante sua saída de uma reunião com parlamentares aliados, na Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta segunda-feira (21). A medida, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi imposta no âmbito das investigações sobre suposta tentativa de golpe de Estado. Em rápida fala à imprensa, Bolsonaro classificou a decisão como “a máxima humilhação para quem respeita a Constituição”.
Determinação do STF inclui tornozeleira, restrições e monitoramento
O uso da tornozeleira faz parte de um conjunto de medidas cautelares impostas pelo Supremo na última sexta-feira (18). Além da vigilância eletrônica, o ex-presidente está proibido de usar redes sociais, dar entrevistas públicas, manter contato com outros investigados ou diplomatas e deve cumprir recolhimento domiciliar noturno.
A decisão cita risco de fuga, destruição de provas e tentativa de interferência nas investigações. Durante cumprimento de mandado de busca e apreensão, foram encontrados valores em espécie e um pendrive com documentos que levantaram suspeitas de obstrução.
Bolsonaro reage com críticas e se diz vítima de injustiça
Na saída da reunião, realizada no Salão Verde da Câmara, Bolsonaro comentou brevemente o uso da tornozeleira, afirmando que jamais cometeu crimes e que a medida representa um constrangimento pessoal e político.
“Não roubei os cofres públicos, não matei ninguém, não trafiquei. Isso aqui é um símbolo da máxima humilhação”, declarou o ex-presidente, alegando estar sendo perseguido judicialmente.
Bolsonaro também afirmou que está em paz por “agir sob a lei de Deus”, e reiterou que vai cumprir as determinações legais enquanto se defende das acusações.
Saída tumultuada e quebra de mobiliário no Congresso
A presença do ex-presidente atraiu grande movimentação de apoiadores e curiosos nos corredores da Câmara. Durante a saída, houve empurra-empurra e gritaria. Uma mesa de vidro foi quebrada no tumulto e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sofreu um arranhão no rosto, segundo informou sua assessoria.
Agentes de segurança do Congresso foram acionados para conter o tumulto e escoltar Bolsonaro até o estacionamento. A confusão durou cerca de dez minutos e interrompeu momentaneamente os trabalhos legislativos.
Repercussão nas redes sociais e polarização política
Nas redes, a hashtag #MáximaHumilhação ganhou força entre apoiadores do ex-presidente, que criticaram a decisão do STF e a classificaram como abuso de autoridade. Já opositores destacaram a gravidade das investigações e defenderam que as medidas são proporcionais às suspeitas levantadas pela Polícia Federal e pelo Supremo.
Parlamentares de ambos os lados se manifestaram. A base aliada de Bolsonaro prometeu acionar a Comissão de Direitos Humanos para questionar o uso da tornozeleira. Já integrantes da oposição afirmaram que a reação do ex-presidente foi “teatral” e tentava desviar o foco do conteúdo das investigações.
Investigação segue em andamento
O ex-presidente é investigado por suspeita de envolvimento em tentativa de golpe de Estado e por articulação para minar o processo democrático. As apurações estão sob sigilo, mas novas diligências devem ocorrer nas próximas semanas, segundo fontes ligadas à Polícia Federal.
O STF não definiu data para a eventual oitiva de Bolsonaro, mas reforçou que qualquer descumprimento das medidas impostas poderá resultar em prisão preventiva.
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