Subida preocupante acende alerta em Manaus e coloca milhares em risco
Nível do rio ultrapassa limite considerado severo: O Rio Negro atingiu nesta segunda-feira (30) a marca de 29,02 metros no Porto de Manaus, superando a cota de inundação severa, que é de 29 metros, conforme confirmou a Defesa Civil do Amazonas e o Serviço Geológico do Brasil (SGB). A marca representa o nível mais alto de 2025 até o momento, e coloca a capital e municípios do entorno em estado de alerta.
A última vez que o Rio Negro superou essa cota foi em 2021, quando alcançou o recorde histórico de 30,02 metros. Apesar de ainda estar um metro abaixo do nível mais crítico já registrado, o volume atual já tem provocado impactos expressivos na capital e interior.
Municípios em emergência e milhares de famílias afetadas
Segundo o boletim atualizado da Defesa Civil do Estado, 40 dos 62 municípios do Amazonas estão em situação de emergência por conta da cheia. Outros 18 estão em alerta e apenas 4 não apresentam risco iminente. Estima-se que mais de 131 mil famílias, ou cerca de 525 mil pessoas, tenham sido atingidas diretamente pela subida das águas.
Em Manaus, bairros ribeirinhos como Educandos, São Raimundo, Colônia Antônio Aleixo e Cachoeirinha já registram alagamentos em ruas e invasão de água em casas construídas em áreas mais baixas. A prefeitura iniciou ações de contenção e apoio a moradores.
Rio ainda sobe cerca de 1 centímetro por dia
De acordo com o 3º Alerta de Cheias do SGB (emitido em 30 de maio), já havia a previsão de que o Rio Negro atingisse a cota de inundação severa em junho. No entanto, a projeção atual não indica que o nível vá superar os 30,02 metros de 2021, considerado o pior registro da série histórica.
Técnicos afirmam que o rio ainda apresenta elevação de cerca de 1 centímetro por dia, o que pode manter o cenário de emergência por algumas semanas, mas sem tendência de ultrapassar o recorde — a não ser que chuvas intensas prolongadas voltem a ocorrer na cabeceira do rio.
Água invade casas e serviços são comprometidos
Moradores afetados relatam perda de móveis, risco de doenças pela água contaminada e dificuldade de acesso a escolas, hospitais e postos de saúde. Em algumas regiões, estruturas de palafita improvisadas foram erguidas para acesso a casas, enquanto famílias esperam por ajuda.
A Defesa Civil Municipal e a Prefeitura de Manaus estão mapeando áreas críticas e iniciando a entrega de kits de emergência e levantamento para auxílios habitacionais. A preocupação se volta agora para os impactos sociais e de saúde pública.
Internautas e ambientalistas reagem ao avanço do nível
Nas redes sociais, o tema ganhou força com comentários que variam entre críticas à falta de planejamento urbano em áreas de risco e alertas ambientais sobre os efeitos das mudanças climáticas. “Todo ano é a mesma coisa, ninguém tira essas famílias das palafitas”, comentou uma internauta no X (antigo Twitter).
Ambientalistas reforçam que a elevação recorde de 2021 e os níveis atuais devem servir de sinal vermelho para adaptação climática, exigindo políticas públicas duradouras e integradas.
Operações de contenção e apoio às vítimas já começaram
O governo do Amazonas intensificou a distribuição de mantimentos, kits de higiene, colchões e medicamentos em cidades do interior afetadas pela cheia. Em Manaus, equipes da Defesa Civil Municipal trabalham na instalação de passarelas emergenciais de madeira e monitoramento das áreas mais críticas.
Segundo o coordenador estadual da Defesa Civil, o sistema de monitoramento segue ativo 24 horas por dia, e novos alertas podem ser emitidos conforme o avanço do nível do rio.
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