Procuradoria apresenta ao STF documento com mais de 500 páginas responsabilizando o ex-presidente por liderar articulação contra a democracia
PGR pede condenação de Bolsonaro por golpe: A Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF), na noite de domingo (14), suas alegações finais no inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A peça, com 517 páginas, pede a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus ligados ao núcleo político e militar da suposta trama golpista.
No documento assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet, a PGR sustenta que Bolsonaro atuou como líder da organização criminosa, ao lado de nomes como Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Anderson Torres, Alexandre Ramagem, Paulo Sérgio Nogueira, Almir Garnier e Mauro Cid. Todos são acusados de crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático de direito, organização criminosa armada, dano qualificado e grave ameaça.
Detalhes do processo e estratégia investigativa
Segundo a PGR, Bolsonaro teria usado a estrutura do Estado para minar a credibilidade das eleições de 2022, difundir desinformação e buscar apoio de setores das Forças Armadas para reverter o resultado do pleito que elegeu Lula. O plano incluía a elaboração de uma minuta de decreto de GLO (Garantia da Lei e da Ordem), que poderia ser utilizado para prender o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes.
A investigação se apoiou em mensagens, reuniões e documentos apreendidos durante operações autorizadas pelo STF, além do depoimento de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que firmou acordo de delação premiada e confirmou o envolvimento direto do ex-presidente na tentativa de ruptura institucional.
Condenações podem ultrapassar 30 anos de prisão
A PGR requer que os réus sejam responsabilizados conforme a gravidade de suas condutas, sendo que as penas combinadas podem superar 30 anos de prisão. O órgão também defende que Bolsonaro seja proibido de exercer funções públicas, o que o tornaria inelegível por mais tempo do que os 8 anos já definidos pelo TSE.
Além disso, o Ministério Público pede a aplicação de multas e ressarcimento aos cofres públicos pelos danos causados, incluindo o uso indevido de recursos estatais para fins golpistas.
Julgamento no STF está previsto para setembro
Com o protocolo das alegações finais, o processo entra agora na fase em que os advogados dos réus têm até 15 dias para apresentar suas defesas. Após esse período, caberá ao relator do caso na Primeira Turma do STF, ministro Alexandre de Moraes, marcar o julgamento, que deverá ocorrer em setembro de 2025.
O desfecho do caso pode ter efeitos políticos significativos, inclusive sobre o futuro da extrema direita no Brasil e os desdobramentos das eleições municipais e presidenciais.
Veja também: Trump anuncia envio de mísseis de defesa aérea para Ucrânia e critica Putin: “Fala bonito, mas bombardeia à noite”

