Mensagens revelam articulação para cargo em São Paulo e mudança em regras da Câmara
Bolsonaro articulou plano para salvar Eduardo: A Polícia Federal revelou, nesta quinta-feira (21), mensagens que apontam uma estratégia direta do ex-presidente Jair Bolsonaro para tentar salvar o mandato de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Os diálogos recuperados indicam que Bolsonaro buscou alternativas para que o parlamentar não perdesse a cadeira na Câmara dos Deputados, após ausência prolongada durante sua licença.
Conversas expõem tentativa de prorrogar licença
De acordo com o relatório, Bolsonaro manteve contato com aliados políticos e sugeriu que fosse apresentada uma proposta de resolução que prorrogasse a licença de Eduardo por mais quatro meses. O deputado havia se afastado do cargo em março de 2025, sob justificativa de viagem aos Estados Unidos, mas o prazo da licença terminou no fim de julho. Caso não retornasse, Eduardo poderia ser penalizado por faltas e até perder o mandato.
O projeto de resolução chegou a ser protocolado na Câmara com apoio do líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante, mas até agora não foi levado à votação. Segundo a PF, as mensagens mostram que o ex-presidente acompanhava de perto a tramitação e cobrava resultados imediatos.
Plano alternativo: cargo no governo de São Paulo
As investigações também revelam que Bolsonaro articulava uma segunda alternativa para evitar a perda do mandato do filho: a nomeação de Eduardo em um cargo de secretário no governo de São Paulo. A medida permitiria justificar sua ausência do Congresso, garantindo que não houvesse riscos de cassação.
Em uma das mensagens recuperadas, Bolsonaro teria enviado a assessores o seguinte recado: “Corre atrás… resolve aí o problema de vocês”. A declaração reforça, segundo a PF, a tentativa de blindar Eduardo por meio de arranjos institucionais fora da Câmara.
Impacto político e reação das redes
O caso rapidamente repercutiu nas redes sociais, onde internautas acusaram o ex-presidente de usar manobras para privilegiar familiares. Expressões como “licença sob medida” e “privilégio político” foram algumas das mais comentadas, refletindo indignação popular.
Especialistas em direito legislativo também criticaram a movimentação, destacando que uma alteração no regimento interno da Câmara para prorrogar licenças pode criar um precedente perigoso. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2024 o Congresso registrou mais de 120 pedidos de licença, mas nenhum com prorrogação especial semelhante à cogitada para Eduardo.
Próximos passos
A PF encaminhou o relatório ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Cabe agora às instituições analisar se as ações configuram abuso de poder ou tentativa de obstrução do funcionamento do Legislativo.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ainda não se manifestou sobre o projeto de prorrogação da licença. Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro segue no centro de uma crise que pode definir o futuro de seu mandato e a imagem política de sua família.
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