Quando o Nepal entrou no radar dos grupos políticos brasileiros
Direita usa Nepal para protestos: Um levantamento da Palver, plataforma que monitora mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp, revelou que menções ao Nepal explodiram em grupos de direita no Brasil a partir do último domingo (7/9). O auge ocorreu na quarta-feira (10/9), em paralelo ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
A estratégia consiste em usar os protestos juvenis que derrubaram o governo no Nepal como exemplo a ser seguido no Brasil, vinculando a crise política asiática à narrativa de insatisfação contra o STF e seus ministros.
Dino pede investigação e alerta sobre ameaças
Ação orquestrada?
O ministro do STF Flávio Dino acionou a Polícia Federal para investigar postagens que associam o Brasil ao movimento nepalês. Ele citou mensagens que chegaram a ameaçar ministros e seus familiares com frases como: “É hora de fazer como no Nepal, tacar fogo nas casas”.
Para Dino, há indícios de uma ação concertada com objetivo de incitar violência política, algo que não pode ser tratado apenas como debate digital.
O rastro das mensagens
Segundo os dados coletados:
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No dia 8/9, havia apenas 7 menções por 100 mil mensagens;
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Em 9/9, o número saltou para 314;
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Em 10/9, chegou a 344 menções, coincidindo com a repercussão do voto do ministro Luiz Fux.
Comparativamente, “Bolsonaro” gera entre 300 e 700 menções por 100 mil mensagens, o que mostra o peso repentino do tema Nepal no debate online.
Redes sociais inflamam especulações
Nas redes, o termo “Nepal” virou trending em grupos bolsonaristas, levantando hipóteses como:
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Se uma onda de protestos estudantis poderia ser replicada no Brasil;
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Se o uso do Nepal é apenas “cortina de fumaça” para desviar a atenção do julgamento de Bolsonaro;
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Teorias de que o movimento foi importado artificialmente por meio de disparos em massa.
Especialistas em desinformação alertam que o fenômeno é típico de testes de mobilização digital, em que narrativas externas são adaptadas ao contexto brasileiro para medir engajamento.
O que pode acontecer agora
A Polícia Federal deve iniciar rastreamento para identificar responsáveis pela disseminação coordenada dessas mensagens. O episódio também deve reforçar o debate sobre a regulação de redes sociais e a responsabilidade das plataformas em conter conteúdos de incitação à violência.
Enquanto isso, a referência ao Nepal continua sendo usada em grupos de WhatsApp e Telegram como símbolo de resistência, mesmo sem conexão direta com a realidade política brasileira.
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