Protestos se espalham pelo país com gritos de “Fora Moraes” e apoio à anistia dos presos de 8 de janeiro
Protestos contra Moraes: Neste domingo (3), manifestantes saíram às ruas em pelo menos 62 cidades brasileiras em protestos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Os atos pedem o impeachment de Moraes, a anulação das decisões judiciais contra Bolsonaro e a anistia dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023.
As manifestações foram organizadas por grupos ligados à direita conservadora e contaram com a participação de parlamentares, líderes religiosos, influenciadores e apoiadores do ex-presidente. As principais capitais como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre registraram presença significativa de público.
Entenda os motivos dos protestos
Os atos ocorreram como resposta às recentes decisões do STF que impuseram medidas restritivas a Bolsonaro, como:
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Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
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Proibição de uso de redes sociais;
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Restrições de circulação aos finais de semana.
Essas decisões, tomadas por Alexandre de Moraes, geraram reações imediatas de políticos e apoiadores bolsonaristas, que consideram a atuação do ministro “autoritária” e “incompatível com a democracia”.
Parlamentares como Carla Zambelli (PL-SP), Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Magno Malta (PL-ES) convocaram seus seguidores para os atos, pedindo “liberdade” e “respeito à Constituição”.
Clima nas redes sociais: especulações e ameaças veladas
Nas redes sociais, o clima é de mobilização intensa e especulações. Muitos usuários acusam o STF de agir politicamente para impedir uma possível candidatura de Bolsonaro nas próximas eleições. Outros afirmam que os protestos deste domingo são apenas o início de uma “resistência popular” contra o que chamam de “perseguição judicial”.
Há também quem defenda a instauração de uma CPI para investigar as decisões do STF e o uso da justiça como instrumento de censura. Apesar das especulações, não há indícios oficiais de qualquer medida legislativa concreta nesse sentido até o momento.
Dados, números e declarações oficiais
Segundo levantamento divulgado pelo portal Metrópoles, ao menos 62 cidades confirmaram atos neste domingo. Em Brasília, os organizadores estimam que cerca de 25 mil pessoas estiveram presentes na Esplanada dos Ministérios. Em São Paulo, a Avenida Paulista registrou aglomeração entre os quarteirões centrais com bandeiras do Brasil e faixas pedindo “Fora Moraes”.
A deputada federal Bia Kicis (PL-DF), uma das organizadoras, afirmou:
“A população está nas ruas pedindo o básico: respeito à Constituição, liberdade de expressão e o fim da perseguição política.”
Já o senador Flávio Bolsonaro disse nas redes sociais:
“O povo deu o recado hoje. Não aceitaremos injustiças calados.”
O STF, até o momento da publicação desta matéria, não emitiu nota oficial sobre os protestos.
Desdobramentos e o que pode acontecer a seguir
Apesar da força simbólica dos atos, especialistas ouvidos por portais como UOL e CNN Brasil apontam que manifestações populares dificilmente resultarão em impeachment de ministros do STF, dado que isso depende do Senado, atualmente com maioria aliada ao governo Lula.
No entanto, os atos indicam uma rearticulação política da direita conservadora, com foco em manter Bolsonaro como líder simbólico do movimento. Ainda que legalmente fragilizado, ele segue influente entre seus apoiadores.
A pressão nas ruas pode, no entanto, impactar decisões futuras do Judiciário e do Congresso, além de moldar o clima político para as eleições municipais de 2026.
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