Lula embarca rumo a Buenos Aires para Cúpula do Mercosul
Lula visita Argentina pós-Milei: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará nos dias 2 e 3 de julho da 66ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Buenos Aires, na sua primeira visita oficial à Argentina desde a posse de Javier Milei, ocorrida em dezembro de 2023. A viagem marca o primeiro encontro entre os dois líderes, que vêm protagonizando trocas de farpas públicas desde o ano passado, reacendendo especulações sobre possíveis tensões durante o evento.
A visita também será simbólica: Lula assumirá a presidência rotativa do Mercosul durante a cúpula, em um momento no qual os países do bloco buscam avanços no acordo com a União Europeia e tentam lidar com divergências internas.
Rivalidade política deve marcar bastidores do encontro
A relação entre Lula e Milei é marcada por embates. Ainda durante a campanha eleitoral argentina, Milei chamou Lula de “corrupto” e “comunista furioso”, críticas que o presidente brasileiro respondeu com silêncio diplomático — mas que levaram o governo a não comparecer à cerimônia de posse do argentino.
Desde então, não houve encontros formais entre os dois chefes de Estado. A presença de ambos na mesma cúpula tem provocado debates nas redes sociais e nos bastidores da diplomacia brasileira e argentina. Apesar de ainda não haver confirmação oficial de um encontro bilateral, interlocutores do Planalto não descartam uma conversa reservada entre os dois líderes durante os eventos paralelos.
Lula pode visitar Cristina Kirchner se Justiça autorizar
Outro ponto que pode ganhar repercussão é a possível visita de Lula à ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpre pena de prisão domiciliar em Buenos Aires. Segundo informações da CNN Brasil, aliados do petista estudam a possibilidade de um encontro privado, caso haja autorização da Justiça argentina. Cristina é considerada uma aliada histórica de Lula e símbolo da ala peronista à qual Milei faz forte oposição.
A especulação sobre essa visita também tem movimentado as redes, com apoiadores de ambos os lados usando o episódio como símbolo de seus respectivos discursos políticos.
Tensões ideológicas colocam Mercosul em xeque
Com discursos e projetos de governo diametralmente opostos, Lula e Milei têm visões diferentes sobre o papel do Mercosul. O argentino já declarou que considera o bloco uma “camisa de força”, enquanto o brasileiro aposta na integração regional como pilar estratégico para o desenvolvimento da América do Sul.
Segundo especialistas, a presença dos dois líderes no mesmo evento pode trazer desde embates velados até sinais de distensão diplomática, a depender da habilidade política das delegações.
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