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sábado, maio 23, 2026

Lula quebra o silêncio e desafia Estados Unidos: “Guerra só começa quando eu responder”

Presidente afirma estar “com certa tranquilidade” mesmo com ameaça de tarifas de 50% dos EUA

Lula diz que guerra só começa com resposta: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (21), durante evento no Chile, que ainda não há uma guerra comercial entre Brasil e Estados Unidos, mesmo diante da recente imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros anunciadas pelo governo norte-americano. Segundo Lula, o Brasil está lidando com a situação “com certa tranquilidade”, mas alertou: “a guerra começa quando eu der a resposta”.

“Ainda não estamos numa guerra tarifária. Ela vai começar na hora em que eu der a resposta ao Trump, se ele não mudar de opinião”, afirmou Lula durante sua participação no evento Democracia Sempre, em Santiago, ao lado do presidente chileno Gabriel Boric.

Medidas de Trump pressionam exportações brasileiras

A crise se instalou no início de julho, quando o governo de Donald Trump — reeleito em 2024 — anunciou a aplicação de tarifas comerciais de 50% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo café, carne bovina, suco de laranja e aeronaves. A justificativa, segundo a Casa Branca, seria uma “resposta política” ao que consideram retaliação diplomática e judiciária contra Jair Bolsonaro, ex-presidente aliado de Trump.

A medida pegou o Palácio do Planalto de surpresa e mobilizou o Itamaraty e o Ministério da Indústria e Comércio para tentar uma solução diplomática. O Brasil também cogita acionar organismos internacionais, como a OMC, caso as negociações não avancem.

Lula aposta em diplomacia e pressiona empresários a agirem

Durante o evento no Chile, Lula fez questão de destacar o papel da diplomacia brasileira: “Estamos trabalhando com o Itamaraty, com o vice-presidente Geraldo Alckmin, com os empresários brasileiros e com os empresários americanos. Eles precisam saber que também vão perder com isso”.

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Segundo fontes do Planalto, o governo brasileiro está preparando contramedidas comerciais, com base na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso em abril, que autoriza o Executivo a aplicar retaliações tarifárias a países que adotem práticas consideradas hostis ao Brasil.

Internautas divergem sobre o tom adotado por Lula

A fala do presidente gerou forte repercussão nas redes sociais. Enquanto críticos apontam “fragilidade e hesitação” na condução da crise, apoiadores destacam que Lula tem adotado uma postura estratégica, evitando uma escalada precipitada que possa prejudicar as exportações brasileiras.

No X (antigo Twitter), a hashtag #GuerraComercial entrou nos trending topics, acompanhada de memes e análises sobre os possíveis impactos econômicos da medida de Trump. Especialistas apontam que o Brasil busca, por ora, preservar o comércio bilateral, que movimentou cerca de US$ 88 bilhões em 2024, segundo dados do Ministério da Economia.

Brasil pode acionar OMC e endurecer tom nas próximas semanas

Caso os Estados Unidos não recuem nas tarifas, o governo brasileiro deve:

  • Formalizar queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC);

  • Acionar cláusulas de retaliação previstas em acordos bilaterais;

  • Buscar apoio de países do BRICS e da União Europeia para ampliar pressão internacional.

Fontes do Itamaraty indicam que um novo posicionamento pode ser anunciado ainda nesta semana, dependendo do resultado das conversas iniciadas com diplomatas norte-americanos.

Veja também: Trump ameaça barrar estádio da NFL e exige volta de nome polêmico

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