Cotação da moeda americana atinge maior valor desde junho, enquanto Ibovespa recua diante de tensões comerciais e expectativa por dados da economia chinesa
Dólar sobe e Bolsa recua: O dólar comercial fechou em alta nesta segunda-feira (14), cotado a R$ 5,58, no maior valor desde 5 de junho. O avanço da moeda americana ocorre em meio à crescente tensão internacional provocada por novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à expectativa pela divulgação do PIB da China, que será conhecido ainda esta semana.
Ao mesmo tempo, o Ibovespa recuou 0,66%, aos 123.480 pontos, pressionado pela instabilidade externa e pelo temor de desaceleração econômica no maior parceiro comercial do Brasil.
EUA anunciam tarifas sobre o Brasil e a União Europeia
O governo norte-americano anunciou um pacote de tarifas comerciais agressivas, que atinge diretamente exportações do Brasil e da União Europeia. Entre as medidas, está a aplicação de:
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50% de tarifa sobre produtos brasileiros exportados aos EUA;
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30% sobre exportações da União Europeia;
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e 100% de tarifas secundárias a países que mantiverem relações comerciais com a Rússia nos próximos 50 dias.
Trump justificou a decisão como forma de pressionar economicamente a Rússia a aceitar um acordo de paz. “Tarifas em torno de 100%. Vocês chamam de tarifas secundárias, vocês sabem o que significa”, afirmou o presidente, durante coletiva.
China na mira dos investidores
A reação dos mercados também reflete a expectativa pelo desempenho econômico da China no segundo trimestre. A previsão do mercado é de crescimento de 5,1%, mas há especulações sobre possíveis números abaixo dessa expectativa.
Analistas alertam que um resultado fraco pode comprometer as exportações brasileiras, especialmente de commodities como soja, minério de ferro e petróleo, altamente dependentes da demanda chinesa.
Impactos no mercado financeiro
O mercado reagiu com forte aversão ao risco, refletindo as incertezas geopolíticas e comerciais. Além do dólar acima de R$ 5,50 e da queda do Ibovespa, diversos setores da economia brasileira foram impactados no pregão de hoje, como siderurgia, agronegócio e papel e celulose.
Segundo dados da B3, o volume de negociação aumentou expressivamente, com investidores buscando ativos mais seguros, como dólar e ouro.
Especialistas comentam
De acordo com o economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, as tarifas anunciadas representam “um retrocesso no comércio internacional e colocam o Brasil em posição delicada”.
Fontes do Ministério da Fazenda afirmaram que o governo brasileiro está analisando os impactos do anúncio e pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), caso as tarifas entrem efetivamente em vigor nas próximas semanas.
Discussões nas redes e bastidores políticos
Nas redes sociais, a medida gerou ampla repercussão. Internautas especulam se a retaliação norte-americana tem relação indireta com o cenário político brasileiro, especialmente após o avanço de julgamentos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A hipótese não foi confirmada oficialmente, mas circula com força entre perfis influentes nas plataformas digitais.
Números do dia
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Dólar comercial: R$ 5,58 (+1,1%)
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Ibovespa: 123.480 pontos (-0,66%)
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PIB da China: previsão de 5,1%, a ser divulgado nesta semana
- Tarifas dos EUA: 50% sobre o Brasil, 30% sobre UE, e 100% sobre parceiros da Rússia
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