Medida emergencial mira instituições não reguladas e busca travar o avanço do crime organizado no sistema financeiro
BC limita PIX a R$15 mil: O Banco Central (BC) anunciou nesta sexta-feira (5) novas regras para reforçar a segurança do sistema financeiro brasileiro após recentes ataques cibernéticos que exploraram fragilidades em prestadores de serviços de tecnologia da informação (PSTIs). A principal novidade é a criação de um limite automático de R$ 15 mil para transferências via PIX e TED realizadas por instituições de pagamento que ainda não possuem autorização oficial para operar.
Segundo o BC, a decisão foi tomada diante de evidências de que grupos do crime organizado estão por trás das tentativas de fraude em larga escala.
O que motivou as mudanças
Investidas contra empresas de tecnologia financeira
Nas últimas semanas, ataques hacker afetaram companhias como Sinqia, Monetarie e C&M Software, usadas como infraestrutura por fintechs e instituições menores. Embora não tenha havido impacto direto nas contas dos clientes finais, os acessos indevidos permitiram tentativas de desvio de grandes quantias.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que os criminosos atuam em rede e buscam brechas para movimentar recursos de forma rápida:
“Ao limitar o valor das transações, forçamos o fraudador a repetir o ataque mais vezes, o que facilita a detecção e o bloqueio”.
Principais medidas anunciadas
Limite de R$ 15 mil para PIX e TED
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Aplicado apenas a instituições não autorizadas ou que dependem de PSTIs.
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Estabelecido diretamente no sistema do BC, sem possibilidade de alteração pela instituição.
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Baseado em estatísticas: 99% das transações de empresas ficam abaixo desse valor, reduzindo impacto nas operações legítimas.
Autorização obrigatória antecipada
O prazo para que todas as instituições de pagamento tenham autorização do BC foi antecipado de 2029 para maio de 2026. Empresas que não se regularizarem até lá poderão ser descredenciadas.
Novas exigências de governança
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Capital mínimo de R$ 15 milhões para prestadores de tecnologia.
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Possibilidade de avaliações técnicas independentes.
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Prazo de até 4 meses para adequação de quem descumprir normas.
Repercussão e debate público
Reações nas redes sociais
A medida dividiu opiniões entre usuários e especialistas. Alguns comemoraram o reforço de segurança e usaram hashtags como #PixMaisSeguro e #ContraFraudes. Outros criticaram, afirmando que o limite pode prejudicar empresas de médio porte e sufocar fintechs em fase inicial de expansão.
Economistas avaliam que o BC deve adotar em breve novas camadas de proteção digital, incluindo regras específicas para criptoativos e sistemas de pagamento instantâneo, ampliando a blindagem do setor contra crimes financeiros.
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