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sábado, maio 23, 2026

“Achei que era labirintite”: jovem descobre trombose cerebral e vazamento de líquido do cérebro após uso de anticoncepcional

Arquiteta de 27 anos enfrentou quadro raro e grave após quatro anos de uso contínuo de anticoncepcional; médicos reforçam importância de acompanhamento e exames regulares

Trombose e vazamento cerebral após anticoncepcional: A arquiteta Ana Júlia Pires, de 27 anos, viveu uma experiência médica rara e assustadora após desenvolver uma trombose cerebral e um vazamento de líquido cefalorraquidiano (líquor) — substância que envolve e protege o cérebro —, quadro atribuído por especialistas ao uso prolongado de anticoncepcionais hormonais. O caso, que ocorreu entre 2021 e 2025, chamou atenção de médicos e internautas por expor um risco pouco conhecido, mas possível, relacionado ao uso contínuo de pílulas contraceptivas.

Sintomas confundidos com labirintite

De acordo com a própria Ana Júlia, os primeiros sintomas surgiram de forma discreta. “Achei que era labirintite. Sentia tontura, dor de cabeça e uma sensação de pressão na cabeça que ia e voltava”, relatou em entrevista a um portal regional. Durante meses, os sinais foram tratados como problemas de ouvido e equilíbrio, mas os sintomas pioraram com o tempo.

Após sucessivas consultas, a jovem passou por exames neurológicos que revelaram a presença de coágulos em veias cerebrais, caracterizando um caso de trombose venosa cerebral — condição grave e potencialmente fatal. O diagnóstico também apontou um vazamento de líquor, identificado por exames de imagem como uma pequena fissura que permitia a saída do fluido responsável por proteger o sistema nervoso central.

Segundo especialistas, o vazamento pode causar fortes dores de cabeça, visão turva e zumbido constante, além de aumentar o risco de infecções intracranianas.

O papel do anticoncepcional no caso

Médicos que acompanharam o caso de Ana Júlia afirmam que o uso prolongado de anticoncepcionais hormonais pode estar relacionado à formação de trombos. Embora seja uma complicação rara, o risco aumenta em pacientes com predisposição genética, tabagismo, sobrepeso ou histórico familiar de doenças vasculares.

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De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), o uso de anticoncepcionais combinados (com estrogênio e progesterona) pode aumentar em até três vezes o risco de trombose venosa, especialmente se não houver acompanhamento médico adequado.

No entanto, o desenvolvimento de uma trombose cerebral evoluindo para vazamento de líquor é considerado extremamente incomum. Segundo o neurologista Dr. Ricardo Molina, esse tipo de complicação só ocorre quando há um comprometimento significativo das estruturas intracranianas, algo visto “em menos de 1 a cada 100 mil casos de trombose cerebral”.

Recuperação e alerta médico

Após o diagnóstico, Ana Júlia precisou suspender imediatamente o anticoncepcional e iniciar tratamento intensivo com anticoagulantes e acompanhamento neurológico. Ela também passou por sessões de reabilitação para recuperação de equilíbrio e controle das dores de cabeça.

“Hoje estou bem, mas ainda tenho restrições. Foi um susto enorme. Nunca imaginei que algo usado por tantas mulheres pudesse causar algo tão grave”, contou a arquiteta.

Médicos reforçam que o caso não deve gerar pânico, mas serve como alerta para a automedicação e uso prolongado de hormônios sem avaliação periódica. O ginecologista Dr. Fábio Leite, em entrevista à imprensa, destacou:

“O anticoncepcional é seguro para a maioria das mulheres, mas precisa ser prescrito com base em exames e histórico familiar. Nenhum medicamento é livre de riscos.”

O que dizem as redes sociais

Nas redes, o caso repercutiu amplamente. Diversos usuários compartilharam relatos pessoais de efeitos colaterais de anticoncepcionais, enquanto outros cobraram campanhas de conscientização mais claras sobre os riscos vasculares. A hashtag #AnticoncepcionalComResponsabilidade ganhou destaque no X (antigo Twitter).

Entre as especulações, alguns internautas questionam se o uso prolongado da pílula teria sido o único fator causador da trombose. Médicos, contudo, lembram que o anticoncepcional é um possível agravante, mas nem sempre o único responsável — fatores genéticos e hábitos de vida também podem desempenhar papel decisivo.

O que aprendemos com o caso

Casos como o de Ana Júlia reforçam a importância da avaliação médica antes de iniciar ou continuar o uso de anticoncepcionais, especialmente quando o tratamento se estende por anos. Especialistas orientam que mulheres com histórico familiar de trombose, enxaqueca com aura, tabagismo ou problemas circulatórios procurem alternativas não hormonais.

A arquiteta, hoje recuperada, transformou sua experiência em alerta:

“Se eu tivesse feito mais exames e prestado atenção aos sinais, talvez tivesse descoberto antes. Espero que minha história sirva de aviso para outras mulheres.”

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