Operação Sem Desconto investiga esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias
PF mira sindicato ligado a irmão de Lula: A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (9), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias em descontos ilegais sobre benefícios do INSS.
Foram cumpridos 66 mandados de busca e apreensão em sete estados e no Distrito Federal, com bloqueio de R$ 400 milhões em bens de suspeitos.
Entre os alvos está o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) — entidade em que José Ferreira da Silva, o “Frei Chico”, irmão do presidente Lula, ocupa o cargo de vice-presidente.
Apesar disso, Frei Chico não é alvo direto nem investigado pela PF nesta etapa.
Esquema teria causado prejuízo de mais de R$ 6 bilhões
De acordo com as investigações, o grupo suspeito teria realizado descontos indevidos em aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024, registrando dados falsos em sistemas oficiais para beneficiar sindicatos e associações.
O prejuízo estimado ultrapassa R$ 6,3 bilhões, segundo dados da Controladoria-Geral da União (CGU).
Entre os crimes apurados estão estelionato, lavagem de dinheiro, inserção de dados falsos e formação de organização criminosa.
Essa é a terceira fase da Operação Sem Desconto, iniciada em 2025, que já havia apreendido bens de luxo e documentos em investigações anteriores.
PF apreende dinheiro e documentos em sede do Sindnapi
Durante a ação, agentes da Polícia Federal apreenderam dinheiro em espécie, computadores e documentos na sede do Sindnapi, localizada em São Paulo, além de cumprirem mandados nas residências de dirigentes da entidade.
O presidente do sindicato, Milton Baptista de Souza Filho, também é investigado.
O Sindnapi divulgou nota afirmando que foi “surpreendido” pelas buscas e que seus advogados ainda não tiveram acesso aos autos da operação.
A entidade declarou que comprovará a legalidade de suas atividades e que “repudia qualquer tentativa de criminalizar o movimento sindical”.
Fontes ligadas à PF informaram que o foco das buscas é identificar contratos e movimentações financeiras suspeitas ligadas à arrecadação sindical e ao repasse de contribuições de aposentados.
Frei Chico vira assunto político, mas segue fora da lista de investigados
Nas redes sociais, o nome de Frei Chico se tornou um dos mais comentados após a divulgação das buscas no sindicato em que atua.
Internautas levantaram suspeitas de favorecimento político, enquanto apoiadores de Lula afirmaram se tratar de “mais uma tentativa de desgastar o governo”.
Até o momento, não há indícios nem provas de envolvimento direto do irmão do presidente com o esquema.
A Polícia Federal também não confirmou qualquer investigação contra ele.
Especialistas avaliam que, mesmo sem ligação comprovada, o caso pode gerar desgaste político e pressão sobre o Planalto, já que o sindicato tem forte ligação com o movimento sindical histórico de Lula.
Operação reforça cobrança por transparência no sistema do INSS
A operação reacende o debate sobre a fiscalização de descontos sindicais e associativos em benefícios previdenciários, prática que tem gerado inúmeras denúncias nos últimos anos.
O governo federal prometeu endurecer as regras de validação de autorizações de descontos e ampliar a integração entre o INSS e órgãos de controle.
A CGU e o Ministério da Previdência avaliam, ainda, auditar contratos firmados com entidades beneficiadas nos últimos cinco anos.
Analistas políticos afirmam que o caso pode afetar a imagem do governo e reacender a disputa narrativa entre governo e oposição às vésperas das eleições municipais
Veja também: Investigado na “Farra do INSS” celebra lucros em culto e atribui sucesso à “mão de Deus”

