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sábado, maio 23, 2026

Zelensky acusa Putin de usar trégua de Páscoa como manobra política

Presidente ucraniano diz que cessar-fogo russo é “encenação” enquanto ataques continuam no leste do país

Zelensky: trégua de Putin é manobra: O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, criticou duramente a trégua de 30 horas anunciada por Vladimir Putin para o feriado da Páscoa Ortodoxa, classificando-a como uma “manobra política” sem valor prático. A pausa temporária nos combates, iniciada na noite de sexta-feira (18), foi descrita por Zelensky como uma tentativa de criar “uma falsa impressão de cessar-fogo”, enquanto as forças russas continuavam seus ataques em várias frentes de batalha.

Trégua sob fogo cruzado

Putin declarou a trégua alegando motivos humanitários, com a intenção de permitir que os fiéis ortodoxos celebrassem a Páscoa com segurança. No entanto, segundo relatos das autoridades ucranianas, nas primeiras 12 horas da trégua foram registrados pelo menos 47 bombardeios nas regiões de Donetsk e Luhansk — áreas fortemente disputadas desde o início da guerra.

“Essa trégua é uma encenação para manipular a opinião pública internacional. Enquanto fala de paz, Putin envia drones e artilharia pesada para nossas cidades”, disse Zelensky em pronunciamento oficial neste sábado (19).

Rejeição prévia à proposta americana

O presidente ucraniano também relembrou que, em março, a Ucrânia havia aceitado uma proposta dos Estados Unidos para uma trégua de 30 dias, com o objetivo de abrir espaço para negociações diplomáticas. A proposta foi recusada pelo Kremlin.

“A Rússia se recusou a parar a guerra quando houve uma chance real de trégua. Agora oferece 30 horas? Isso não é paz, é propaganda”, afirmou Zelensky.

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Troca de prisioneiros e reações internacionais

Apesar das acusações, a trégua coincidiu com uma nova rodada de troca de prisioneiros entre Ucrânia e Rússia, mediada pelos Emirados Árabes Unidos. Ao todo, 118 soldados ucranianos e 104 militares russos foram repatriados. A ação humanitária, porém, não amenizou as críticas internacionais à postura russa.

Líderes da União Europeia e dos Estados Unidos expressaram ceticismo quanto às intenções de Putin. A ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, disse que a trégua “parece mais uma encenação do que um passo genuíno rumo à paz”. O Departamento de Estado norte-americano reiterou que “a paz verdadeira exige um cessar-fogo duradouro e a retirada das tropas russas da Ucrânia”.

Guerra entra em nova fase

A guerra na Ucrânia completou dois anos em fevereiro de 2024 e continua em escalada. Analistas apontam que a Rússia tenta ganhar tempo e suavizar sua imagem diante da crescente pressão internacional por uma solução diplomática. Já a Ucrânia, apoiada por países da OTAN, insiste em que qualquer negociação comece com a retirada russa de territórios ocupados.

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