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sábado, maio 23, 2026

“Uso da Lei Magnitsky contra Moraes é deturpação”, diz criador da norma em crítica direta aos EUA

Bill Browder afirma à BBC que aplicação da lei ao ministro do STF foge do propósito original e pode ser revertida

Browder critica sanção a Moraes: O idealizador da Lei Magnitsky, Bill Browder, classificou como “deturpado” o uso da legislação pelos Estados Unidos para aplicar sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Em entrevista à BBC News Brasil, Browder — responsável por liderar a campanha global que deu origem à lei — afirmou que a decisão não representa a real finalidade do instrumento jurídico internacional, criado para punir graves violações de direitos humanos e corrupção sistemática.

Legislação foi criada com base em caso russo emblemático

A Lei Magnitsky surgiu a partir da morte do advogado russo Sergei Magnitsky, em 2009, após denunciar corrupção de autoridades russas e morrer sob custódia. Browder, que era cliente de Magnitsky, iniciou uma mobilização internacional que levou à criação de leis semelhantes em diversos países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e União Europeia.

A versão americana da norma permite ao governo sancionar indivíduos estrangeiros — inclusive com bloqueio de bens e proibição de entrada no país — quando houver comprovação de abuso sistemático de direitos humanos ou corrupção estatal.

Caso Moraes: “Uso não se sustenta”, diz Browder

Sanção foi anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA

Na última semana de julho de 2025, o governo americano incluiu Alexandre de Moraes em uma lista de sanções baseadas na Lei Magnitsky, alegando supressão de direitos e liberdade de expressão no Brasil. A medida gerou forte reação institucional no país, inclusive com nota oficial do presidente Lula repudiando a sanção.

Bill Browder, no entanto, discorda da interpretação americana:

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“Não vejo evidências de que Alexandre de Moraes tenha cometido os tipos de abusos que justificariam sanções sob a Lei Magnitsky”, afirmou o ativista à BBC.

Segundo ele, há argumentos jurídicos robustos que podem levar à reversão da sanção nos tribunais americanos ou até mesmo à sua suspensão administrativa.

Repercussão política e discussões nas redes

A fala de Browder repercutiu fortemente nos bastidores do STF e no Itamaraty, sendo vista como um trunfo diplomático para contestar a ofensiva dos EUA. Nas redes sociais, a entrevista dividiu opiniões: enquanto apoiadores de Moraes usaram as declarações como defesa da legalidade das decisões do ministro, opositores sugeriram que Browder estaria “mal informado” ou “sendo usado politicamente”.

Entre as hashtags em alta estão #Moraes, #LeiMagnitsky, #Browder e #STFNaMira. Muitos usuários comentam sobre uma possível articulação diplomática para reverter a medida, com base no peso simbólico da fala do criador da lei.

Caminhos legais para a reversão

Especialistas em direito internacional consultados pela imprensa apontam que o governo brasileiro poderá acionar organismos multilaterais como a Corte Interamericana de Direitos Humanos ou até mesmo iniciar tratativas bilaterais para que o Departamento de Estado reavalie a decisão.

Além disso, existe a possibilidade de recursos judiciais em cortes americanas, caso o nome de Moraes passe a figurar oficialmente em sanções econômicas com efeito direto.

“Esse tipo de medida não é imutável. A pressão institucional pode levar à revisão”, disse um diplomata brasileiro à Agência Brasil, sob condição de anonimato.

Veja Também: Ministro Alexandre de Moraes é sancionado pelos EUA com Lei Magnitsky por abuso de autoridade

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