Casa Branca defende decisão polêmica após dados de emprego decepcionarem mercado
Trump demite chefe do BLS: A demissão repentina de Erika McEntarfer, então comissária do Bureau of Labor Statistics (BLS), por ordem do presidente Donald Trump, gerou uma onda de críticas e especulações nos Estados Unidos. A decisão veio logo após a divulgação de um relatório decepcionante sobre o mercado de trabalho e revisões negativas em números anteriores. Para o governo, a medida foi necessária; para críticos, trata-se de um ataque à confiança nas instituições.
Números abaixo do esperado provocam demissão inédita
O relatório de julho de 2025, divulgado pelo BLS, mostrou que apenas 73 mil empregos foram criados no mês, bem abaixo das previsões de analistas, que esperavam algo em torno de 200 mil. Além disso, os números de maio e junho foram revistos para baixo, com um total de 258 mil empregos a menos do que o divulgado inicialmente.
A reação da Casa Branca foi imediata: Erika McEntarfer foi demitida e acusada informalmente por Trump de ter manipulado os dados “em benefício da administração anterior”, embora nenhuma evidência concreta tenha sido apresentada até o momento.
Assessores alegam quebra de confiança nas projeções econômicas
Em entrevista coletiva, o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, afirmou que o presidente “tem o direito de substituir quem quiser” e que a decisão foi baseada em revisões consecutivas que abalaram a credibilidade das projeções do BLS. O Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, reforçou que “Trump apenas agiu para garantir confiabilidade nos dados divulgados à população”.
O governo também insinuou que novas mudanças podem ocorrer em órgãos que lidam com estatísticas econômicas, como parte de um plano de “revisão técnica”.
Economistas e ex-funcionários do governo se manifestam contra decisão
Diversos especialistas se pronunciaram contra a demissão. O ex-secretário do Tesouro Larry Summers classificou o ato como “autoritarismo disfarçado de administração técnica”. Para ele, a medida abre um precedente perigoso e fragiliza a confiança pública nos dados governamentais.
O ex-comissário do próprio BLS, William Beach, chamou o episódio de “profundamente perturbador” e alertou que as revisões nos relatórios de emprego são parte natural do processo estatístico, e não justificam exoneração de cargos técnicos.
Redes sociais reagem com teorias e especulações
Nas redes sociais, o tema se tornou um dos mais comentados da semana. Enquanto apoiadores de Trump sustentam a narrativa de que os dados estariam “contaminados” por viés político, críticos alertam que o presidente estaria queimando o mensageiro após a publicação de números negativos.
Alguns usuários sugeriram que a demissão seria uma forma de controlar os relatórios econômicos até as eleições presidenciais de 2028, levantando preocupações sobre uso político de instituições técnicas.
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