Choque tarifário global: o impacto em África
Tarifas EUA África China: Em agosto de 2025, o governo dos EUA aplicou tarifas entre 10% e 50% sobre importações de dezenas de países — elevando a alíquota média para 18,6%, a mais alta desde 1933. O ritmo acelerado da aplicação dessas tarifas causou apreensão especialmente em economias emergentes.
África do Sul sente o baque — mas com resiliência
A África do Sul, afetada por uma tarifa de 30%, enfrenta tensões nos setores agrícola e automotivo. O Banco Central local projeta impacto modesto no crescimento, apontando que apenas 7% das exportações têm os EUA como destino. A previsão de retração no PIB de 2025 foi revisada em apenas 0,1 ponto percentual, e o rand sul-africano se valorizou impulsionado por preços crescentes do ouro.
Decreto local prevê criação de linhas de crédito e proteção via fundo de seguro-desemprego, além de facilitar colaboração entre concorrentes para reduzir prejuízos.
Lesoto: tarifa reduzida, mas danos persistem
Lesoto viu sua tarifa ser reduzida de 50% para 15%, após forte repercussão. Mesmo assim, a indústria têxtil — responsável por cerca de 40 mil empregos e 90% das exportações manufaturadas — já sofre com cancelamentos de pedidos, demissões e encerramento de fábricas.
Outros países africanos sob fogo cruzado
Nações como Nigéria, via tarifa de 14%, e Zimbábue, com 18%, sentem a pressão das políticas de “reciprocidade”. A retração nas exportações nigerianas ao mercado americano superou US$ 527 milhões, segundo estimativas.
A China surge como alternativa estratégica
A “porta aberta” para o mercado chinês
Em junho de 2025, autoridades chinesas anunciaram a eliminação de todas as tarifas sobre exportações dos 53 países africanos com os quais mantêm laços diplomáticos. Essa isenção inclui tanto nações de baixa renda quanto de renda média, com previsão de benefícios especialmente para Quênia, África do Sul, Nigéria, Egito e Marrocos. O objetivo é equilibrar o comércio, que em 2024 registrou um superávit de US$ 62 bilhões para a China frente ao continente.
Chamada diplomática por uma resposta multilateral
Em uma declaração conjunta, China e países africanos pediram aos EUA que retornassem a um caminho de negociação “igualitário, respeitoso e recíproco” em suas divergircias comerciais.
Especulações nas redes: África mudando de lado?
Nas conversas online, surgem relatos de que alguns governos africanos estariam inclinando seus negócios em direção à China em resposta às tarifas americanas. São comentários não confirmados oficialmente, mas refletem um ambiente de incerteza e possível mudança de foco comercial.
Panorama geopolítico e futuro incerto
O Aba da Agência de Desenvolvimento dos EUA (USAID) teve seus recursos drasticamente reduzidos, afetando programas de saúde, especialmente no tratamento de HIV em países africanos. Especialistas alertam para o enfraquecimento da influência americana e o crescente vácuo de poder na região
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