A operação que abalou o varejo farmacêutico
Prisão de Sidney Oliveira: Na manhã desta terça-feira, 12 de agosto de 2025, o Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Ícaro, que resultou na prisão temporária do empresário Sidney Oliveira, fundador da rede Ultrafarma. Também foram detidos Mario Otávio Gomes, diretor da Fast Shop, e dois auditores fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP): Artur Gomes da Silva Neto e Marcelo de Almeida Gouveia.
Além das prisões, a operação cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais e sedes corporativas.
Propinas e créditos de ICMS
De acordo com a investigação, o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto seria o responsável por articular um esquema de liberação irregular de créditos de ICMS para grandes empresas do varejo, agilizando processos e aprovando valores superiores aos devidos. Em troca, haveria pagamento de propinas que, segundo o MP-SP, poderiam ultrapassar R$ 1 bilhão desde 2021.
Os repasses teriam sido realizados por meio de empresas de fachada e movimentações financeiras complexas para dificultar o rastreamento.
Empresa de fachada e salto patrimonial
O ponto inicial da investigação foi a evolução patrimonial de uma empresa registrada em nome da mãe de um dos auditores. O capital declarado teria saltado de R$ 411 mil em 2021 para R$ 2 bilhões em 2023, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Itens apreendidos
Durante a operação, foram apreendidos cerca de R$ 1 milhão em espécie, valores em dólares e euros, sacos de esmeraldas, documentos e equipamentos eletrônicos. Todo o material será periciado para aprofundar as provas.
Pronunciamentos oficiais
A Fast Shop afirmou colaborar integralmente com as autoridades e aguarda acesso aos autos para esclarecer sua posição. A Sefaz-SP informou ter aberto procedimento administrativo e solicitou o compartilhamento de informações ao MP para apurar a conduta dos auditores envolvidos.
O que dizem os internautas
Nas redes sociais, muitos usuários comentaram o valor estimado das propinas, chamando atenção para a magnitude do esquema, raramente vista no setor privado. Há também especulações sobre a possibilidade de outras empresas do varejo estarem sob investigação, embora até o momento não haja confirmação oficial.
Enquadramento criminal
Os presos poderão responder por corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O prazo inicial da prisão temporária é de até cinco dias, podendo ser prorrogado conforme a necessidade das investigações.
O que pode acontecer a seguir
O Ministério Público deve ampliar a análise das transações financeiras, ouvir novos depoimentos e, possivelmente, denunciar mais envolvidos. A expectativa é de que, nos próximos dias, mais detalhes venham a público sobre a extensão do esquema e seu impacto no setor varejista.
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