Nomeações feitas por decreto foram barradas por ampla maioria e geram crise entre Executivo e Congresso
Senado argentino rejeita juízes indicados por Milei: O presidente da Argentina, Javier Milei, enfrentou nesta quinta-feira (3) um de seus maiores reveses políticos desde que assumiu o cargo. O Senado argentino rejeitou as indicações de Ariel Lijo e Manuel García-Mansilla para a Suprema Corte, em uma votação que evidenciou forte resistência institucional e isolamento do governo no Congresso.
As indicações foram feitas por decreto presidencial durante o recesso parlamentar, o que foi interpretado por parte dos senadores como uma afronta ao processo constitucional. “Não há precedentes recentes de nomeações por decreto sem sabatina. Isso fere a separação de poderes”, declarou um senador da oposição ao jornal La Nación.
ejeição expressiva escancara desgaste político
Lijo foi rejeitado por 43 votos contra e 27 a favor, com uma abstenção. García-Mansilla teve desempenho ainda pior: 51 votos contrários e apenas 20 favoráveis. Ambos os nomes enfrentavam críticas por questões éticas e ideológicas.
Lijo, juiz federal, já foi alvo de denúncias por corrupção e favorecimento político. Já García-Mansilla, professor de Direito Constitucional, é conhecido por posições conservadoras em temas como o aborto, o que gerou reação de setores progressistas e de organizações de direitos humanos.
Governo reage e redes sociais polarizam debate
Após o resultado, a Casa Rosada divulgou nota acusando o Senado de “sabotar a reconstrução institucional da Argentina”. O porta-voz presidencial afirmou que o governo “não abrirá mão de lutar contra o sistema podre que há décadas domina a Justiça argentina”.
Nas redes sociais, a rejeição dividiu opiniões. Apoiadores de Milei classificaram o episódio como “golpe parlamentar”, enquanto opositores celebraram a votação como “um respiro democrático”. A hashtag #CorteSuprema ficou entre as mais comentadas do dia no país.
Especialistas temem nova crise institucional
O cientista político Andrés Malamud alertou que o embate entre Executivo e Congresso pode se intensificar. “Estamos diante de uma encruzilhada institucional. Ou Milei busca diálogo, ou corre o risco de enfrentar paralisia legislativa e judicial”, disse ele em entrevista à rádio Mitre.
Enquanto isso, a Suprema Corte segue com apenas quatro dos cinco membros, e o impasse sobre sua recomposição pode comprometer decisões importantes do Judiciário nos próximos meses.
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