Relatório aponta ligação financeira entre empresas ligadas ao clube e o PCC; presidente Augusto Melo nega envolvimento
Dirigentes do Corinthians ligados ao PCC: A Polícia Civil de São Paulo revelou, em relatório sigiloso obtido por veículos como UOL, CNN Brasil e Estadão, que dirigentes ligados ao Corinthians estão sob investigação por suspeita de envolvimento com o crime organizado. O foco está em transações relacionadas ao contrato de patrocínio entre o clube e a casa de apostas Vai de Bet, no qual parte do dinheiro teria sido direcionada a empresas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com o relatório, aproximadamente R$ 1,4 milhão pagos pelo clube à empresa Rede Social Media Design, pertencente a Alex Cassundé, foram repassados a empresas envolvidas em esquemas de lavagem de dinheiro operados pela facção criminosa. As transações ocorreram em duas parcelas de R$ 700 mil em março de 2024.
Rota do dinheiro expõe rede de empresas de fachada
As investigações apontam que o valor repassado por Cassundé foi transferido inicialmente à Neoway Soluções Integradas, empresa em nome de uma mulher moradora de Peruíbe (SP), que afirmou à polícia desconhecer a operação. Em seguida, o dinheiro foi redirecionado para a Wave Intermediações Tecnológicas e, posteriormente, para a UJ Football Talent Intermediação — esta última já citada em delações premiadas por envolvimento direto com o PCC.
O delegado responsável pelo caso confirmou que há elementos suficientes para indicar uma tentativa de ocultação da origem e destino final dos recursos, com o uso de empresas de fachada e laranjas para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Envolvimento de aliado político do presidente do clube
Alex Cassundé, beneficiário da comissão e apontado como elo nas transações, atuou na campanha de Augusto Melo à presidência do Corinthians e esteve no clube no mesmo dia em que realizou um dos repasses. Apesar disso, Melo afirma ter tido apenas dois encontros com Cassundé e nega qualquer envolvimento com as operações investigadas.
Em nota oficial, o Corinthians alegou que “não tem qualquer responsabilidade ou ingerência sobre a destinação de recursos que saem dos cofres do clube e vão para terceiros, conforme contrato firmado com a agência responsável”.
Impeachment e ruptura de patrocínio agravam crise
Com o avanço das investigações, a Vai de Bet decidiu rescindir o contrato de patrocínio com o clube. O rompimento antecipado do acordo, que previa mais de R$ 370 milhões em quatro anos, agravou a crise financeira e institucional da agremiação.
O caso também resultou na abertura de um processo de impeachment contra Augusto Melo, que será votado no Conselho Deliberativo do Corinthians em 26 de maio. O presidente é acusado de má gestão e de não fornecer esclarecimentos suficientes sobre o caso à diretoria e ao conselho.
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