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sábado, maio 23, 2026

Marina Silva confronta aumento de gastos militares e exige urgência climática: “Não se faz guerra com o planeta”

Em Londres, ministra critica prioridades globais e denuncia omissão diante da crise ambiental

Marina cobra ação climática: Durante participação na London Climate Action Week, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, criticou duramente o plano dos países da OTAN de elevar os gastos com defesa para até 5% do PIB até 2035, apontando o contraste entre os investimentos em armamentos e a lentidão no combate à emergência climática. A fala foi feita em painel com representantes internacionais no último dia 25 de junho.

Marina classificou a disparidade como “incoerente” e reforçou que o verdadeiro combate deveria ser contra as mudanças climáticas, a pobreza e a desigualdade — e não entre nações.

“Enquanto trilhões são prometidos para reforçar arsenais, continuamos sem os recursos mínimos para proteger vidas e ecossistemas”, declarou a ministra.

Financiamento climático segue abaixo do prometido

Acordos descumpridos e impactos desiguais

Apesar das metas estabelecidas no Acordo de Paris, os países desenvolvidos ainda não atingiram o compromisso de repassar US$ 100 bilhões anuais para auxiliar nações em desenvolvimento no enfrentamento da crise climática. Marina lembrou que esses recursos, além de insuficientes, são liberados com morosidade e sem transparência.

Enquanto isso, o orçamento militar global segue em ascensão. Segundo dados do SIPRI (Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo), os gastos mundiais com defesa ultrapassaram US$ 2,2 trilhões em 2023, com a OTAN respondendo por mais de 55% desse total.

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Omissão climática: discurso forte repercute no cenário internacional

“Ignorar também é negar”: crítica direta à liderança global

A ministra foi enfática ao afirmar que o negacionismo climático se manifesta de duas formas: pela recusa à ciência e pela omissão diante do que já se conhece. Ela reforçou que a crise climática não é mais uma projeção futura, mas uma realidade atual, com impactos sentidos em todos os continentes.

“Não se faz guerra contra o planeta. Mas é isso que está acontecendo, silenciosamente”, afirmou Marina, ao citar enchentes, secas, incêndios e ondas de calor que já afetam milhões de pessoas em 2024 e 2025.

Reações nas redes e bastidores políticos

Nas redes sociais, a fala da ministra foi amplamente compartilhada por ambientalistas, ativistas e lideranças políticas, que viram no discurso um prenúncio da postura que o Brasil pretende adotar na COP30, a ser realizada em Belém, no Pará, em novembro de 2025.

Alguns usuários especulam que Marina busca ampliar a influência internacional do Brasil na diplomacia climática. Já críticos argumentam que o país também precisa fazer sua parte internamente, especialmente no combate ao desmatamento e na regularização fundiária.

Caminhos possíveis e pressão sobre países ricos

Marina finalizou sua participação cobrando um novo pacto global, que envolva:

  • Redução gradual dos gastos militares

  • Redirecionamento de parte desses recursos para financiamento climático

  • Criação de mecanismos internacionais de transparência e responsabilização ambiental

A proposta, segundo ela, não é utópica, mas necessária para evitar o agravamento da desigualdade ecológica no mundo.

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