Números impressionam, mas especialistas afirmam que cenário está dentro da média dos últimos anos
Mais de 3.300 pinguins morrem no litoral brasileiro: O litoral brasileiro registrou em 2025 a morte de mais de 3.300 pinguins-de-Magalhães durante a temporada migratória, segundo dados do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). Somente em Florianópolis (SC), foram 1.676 pinguins encontrados sem vida. Já no litoral de São Paulo, entre os dias 15 e 21 de agosto, foram contabilizados 739 animais mortos em praias de Cananéia, Iguape e Ilha Comprida.
Apesar do impacto visual e da comoção que os números causam, os especialistas destacam que as estatísticas estão dentro da curva histórica. Em 2022, por exemplo, houve 6.436 registros de mortes, enquanto em 2015 foram apenas 963 — demonstrando que as variações anuais são comuns e ligadas a fatores ambientais e migratórios.
Por que tantos pinguins morrem?
De acordo com o gerente operacional do PMP-BS, Emanuel Ferreira, a principal causa das mortes é a exaustão. Os animais percorrem milhares de quilômetros desde a Patagônia argentina, e muitos jovens não resistem ao esforço físico da longa viagem.
“Eles chegam debilitados, cansados e incapazes de se alimentar ou nadar contra as correntes. Essa fragilidade os torna extremamente vulneráveis”, explicou Ferreira em entrevista.
Além do cansaço extremo, outras causas como hipotermia, doenças, parasitas e escassez de alimento também são apontadas. Em alguns casos, há suspeitas de interações com atividades humanas, como redes de pesca, que podem agravar ainda mais a mortalidade.
Resgate, cuidados e lições aprendidas
Os pinguins encontrados vivos nas praias são encaminhados a centros de reabilitação, onde recebem alimentação e cuidados veterinários até estarem aptos a voltar ao mar. Já os animais mortos passam por necropsia, procedimento que ajuda a identificar com precisão as causas de óbito e a orientar medidas de preservação.
Especialistas também reforçam orientações à população: ao encontrar um pinguim vivo na areia, o ideal é não colocá-lo em contato com gelo, mas sim envolvê-lo em uma manta ou toalha seca e acionar imediatamente os órgãos ambientais. O gelo pode agravar quadros de hipotermia, comum em animais debilitados após a migração.
O que dizem as redes e as preocupações ambientais
Nas redes sociais, as imagens de praias tomadas por corpos de pinguins geraram indignação e tristeza. Muitos usuários questionaram se o número crescente seria reflexo de mudanças climáticas e da redução de peixes disponíveis para alimentação. Outros destacaram que o tema precisa de maior visibilidade, já que os animais são considerados “sentinelas ambientais”, ou seja, suas condições de saúde refletem o equilíbrio do oceano.
Pesquisadores apontam que a situação, embora dentro da média, serve como alerta para a necessidade de monitoramento contínuo e de ações mais eficazes de preservação marinha, especialmente diante do avanço do aquecimento global.
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