Brasil e México se aproximam após medidas agressivas dos EUA; Lula tenta formar aliança regional para enfrentar política comercial de Trump
Lula e México contra tarifaço: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligou para a presidente do México, Claudia Sheinbaum, na noite de 23 de julho de 2025, para discutir os efeitos e as estratégias de reação ao “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump. A conversa aconteceu dias após o governo norte-americano anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e 30% sobre produtos mexicanos, com início previsto para 1º de agosto.
Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto e confirmada pela CNN Brasil, Lula propôs fortalecer os laços comerciais entre os dois países e construir uma estratégia comum diante do avanço do protecionismo americano.
Medidas atingem exportações e elevam tensão diplomática
As novas tarifas norte-americanas foram justificadas por Trump com alegações de “práticas comerciais desleais” e motivações políticas. No caso do Brasil, a medida teria relação direta com a condenação de Jair Bolsonaro, considerada por Trump uma “caça às bruxas”. No caso do México, as tarifas foram associadas ao combate insuficiente ao tráfico de fentanil e à atuação de cartéis.
De acordo com o Financial Times e a Reuters, os dois países latino-americanos serão os mais afetados pelas novas sanções comerciais da Casa Branca, em um movimento que reacende a disputa geoeconômica e isola parte da América Latina.
Alckmin visitará o México em agosto com agenda comercial
Durante a ligação, Lula e Sheinbaum também discutiram a visita oficial do vice-presidente Geraldo Alckmin ao México nos dias 27 e 28 de agosto. A viagem incluirá ministros e uma comitiva empresarial brasileira, com foco na ampliação do acordo comercial bilateral, atualmente restrito a cerca de 800 produtos, em vigor desde 2002.
Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela CNN Brasil, a proposta é ampliar o pacto e buscar alternativas comerciais para mitigar os impactos do tarifaço americano.
Especulações e mobilização nas redes
Nas redes sociais, o telefonema entre os presidentes foi interpretado como o primeiro passo para a criação de uma aliança comercial latino-americana contra o protecionismo dos EUA. Internautas especulam que Lula estaria tentando reunir apoio de outros países da região, como Colômbia, Argentina e Chile, para pressionar a Casa Branca por meio da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Outros usuários ironizaram a reação de Trump, afirmando que o presidente americano “comprou briga com dois gigantes latino-americanos de uma só vez”. A expectativa agora é que novos movimentos diplomáticos surjam em cadeia nos próximos dias.
Declarações oficiais e próximos passos
O Itamaraty informou que ainda busca canais formais de negociação com Washington, mas que os sinais vindos da Casa Branca são de endurecimento. Em resposta, o governo brasileiro prepara medidas recíprocas, incluindo a retaliação tarifária e revisão de concessões comerciais.
Claudia Sheinbaum, por sua vez, classificou a medida de Trump como “agressiva e injusta” e prometeu defender os interesses do povo mexicano “com soberania e dignidade”.

