Itamaraty não respondeu à indicação de novo embaixador
Israel sem embaixador no Brasil: O governo de Israel decidiu rebaixar suas relações diplomáticas com o Brasil após o Itamaraty não responder ao pedido de agrément para a nomeação de Gali Dagan como novo embaixador em Brasília. Com isso, a embaixada israelense permanece sem diplomata de nível máximo desde 12 de agosto, quando o então embaixador Daniel Zonshine deixou o posto por aposentadoria.
A retirada do nome de Dagan foi confirmada por Israel, que agora passa a manter o diálogo bilateral em um nível inferior, sem representação oficial de embaixador.
Crise diplomática agravada por falas de Lula
A tensão entre os dois países não começou agora. Em fevereiro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou a ofensiva israelense em Gaza com o Holocausto, declaração que gerou forte reação em Tel Aviv. O governo israelense classificou Lula como persona non grata e afirmou que o Brasil havia “ultrapassado limites inaceitáveis”.
O episódio marcou um dos momentos mais delicados da relação bilateral em mais de três décadas, segundo análise publicada pelo Ynet News.
A reação de Israel
Após o episódio, autoridades israelenses reforçaram que o Brasil segue como parceiro importante, mas destacaram que a confiança política foi abalada. A nomeação de um embaixador era vista como uma tentativa de restabelecer pontes, mas a falta de resposta do Itamaraty foi interpretada como sinal de resistência.
O que dizem nas redes sociais
Nas redes sociais, a repercussão foi imediata. Muitos usuários defenderam a decisão do governo brasileiro de manter posição firme diante da crise em Gaza, enquanto outros criticaram o impacto negativo na relação com Israel, especialmente em áreas estratégicas como tecnologia e defesa.
Há especulações sobre possíveis reflexos em acordos bilaterais, já que o Brasil mantém comércio ativo com Israel, principalmente em setores de defesa, tecnologia agrícola e medicamentos. Entretanto, especialistas apontam que, no curto prazo, o rebaixamento tem caráter mais simbólico do que prático.
Possíveis impactos futuros
Apesar de o Brasil ainda manter relações diplomáticas regulares com Israel, a ausência de um embaixador limita a condução de negociações diretas em temas sensíveis. Diplomatas ouvidos por veículos internacionais afirmam que a retomada de um canal pleno dependerá de um gesto político de ambos os lados.
Enquanto isso, a embaixada em Brasília segue sob comando de um encarregado de negócios, posição de menor hierarquia, o que sinaliza a manutenção da crise diplomática.
Rebaixamento expõe pior fase em três décadas
O rebaixamento da relação Brasil–Israel é visto por analistas como o pior momento diplomático desde os anos 1990, com impactos simbólicos imediatos e incertezas sobre a reaproximação.
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