29.3 C
Manaus
sábado, maio 23, 2026

“Farra do INSS”: entidade é acusada de usar biometria até da Uber para criar filiações falsas

Investigação aponta uso indevido de dados e fotos manipuladas em descontos irregulares na folha de aposentados e pensionistas

Fraude no INSS usa biometria falsa: Uma investigação da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou um novo escândalo envolvendo descontos indevidos nos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com o relatório, uma associação investigada — identificada como AASPA (Associação de Assistência Social à Pensionistas e Aposentados) — teria utilizado biometrias falsas e dados de empresas sem vínculo contratual, como Uber, Serasa, Caixa Econômica e Sicoob, para validar filiações de aposentados sem autorização.

As apurações apontam que a entidade atribuiu validações biométricas a plataformas que nunca prestaram serviço à associação, utilizando imagens, RGs e fotos adulteradas para burlar os sistemas de segurança do INSS. O golpe visava incluir aposentados e pensionistas em associações fantasmas, com descontos mensais automáticos em seus benefícios.

Segundo técnicos da CGU, as irregularidades violam diretamente os protocolos de biometria facial exigidos desde 2024 pelo próprio INSS para autorizar novas filiações ou descontos. Mesmo após a implantação da medida de segurança, as fraudes continuaram, explorando brechas tecnológicas e validadores terceirizados.

A dimensão do esquema e os prejuízos aos aposentados

A operação estima que o esquema movimentou bilhões de reais nos últimos anos, envolvendo centenas de milhares de beneficiários que tiveram valores descontados sem qualquer consentimento. Há relatos de aposentados que só descobriram a filiação indevida após perceberem reduções mensais de R$ 30 a R$ 70 em seus pagamentos.

As entidades suspeitas usavam cadastros falsos e documentos com biometria “emprestada” — fotos copiadas de bancos de dados ou simuladas com inteligência artificial — para forjar o aceite digital de filiação. Ainda segundo a CGU, algumas das imagens atribuídas a validações biométricas pertenciam a motoristas de aplicativo e usuários de plataformas como a Uber, o que reforça a suspeita de uso indevido de dados privados.

Publicidade

O INSS informou que já está em contato com órgãos de controle e que as associações envolvidas poderão ser suspensas do sistema. A Polícia Federal acompanha o caso e deve instaurar inquérito para apurar eventuais crimes de fraude, falsidade ideológica e uso indevido de dados pessoais.

Repercussão e discussões nas redes sociais

Nas redes sociais, o caso tem sido chamado de “Farra do INSS”, e muitos internautas criticam a falta de fiscalização e a vulnerabilidade dos sistemas de validação biométrica. Alguns apontam que o escândalo demonstra como o uso de tecnologia sem auditoria independente pode gerar fraudes em larga escala.

Enquanto isso, aposentados relatam preocupação com a segurança de seus dados pessoais e pedem que o governo crie um portal exclusivo de verificação de descontos. Também circulam especulações sobre a participação de empresas terceirizadas que teriam atuado na coleta e processamento de biometrias, mas não há confirmação oficial de envolvimento direto de nenhuma das marcas citadas.

Próximos passos da investigação

A CGU deve entregar um relatório completo ao Ministério da Previdência e ao Tribunal de Contas da União (TCU) nas próximas semanas. O documento incluirá recomendações de bloqueio das entidades envolvidas e medidas para reforçar a segurança no sistema de autorização de descontos.

O governo federal também avalia uma revisão completa nos contratos de credenciamento de associações junto ao INSS, para impedir que novos casos semelhantes ocorram. A expectativa é que a Polícia Federal formalize as primeiras denúncias ainda neste trimestre.

Veja Também: Fraude no INSS: sindicato de irmão de Lula é alvo de buscas da Polícia Federal

Artigos Relacionados

Pode Gostar