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sábado, maio 23, 2026

Escavadeira, tonelada de minério e destruição ambiental: operação federal desmonta garimpo ilegal em parque nacional no Amazonas

Fiscalização apreende 1,3 tonelada de cassiterita e equipamentos de alto impacto usados por garimpeiros em área de proteção integral

Garimpo é desmontado em parque nacional do Amazonas: Uma operação de fiscalização ambiental coordenada pelo ICMBio resultou na apreensão de uma escavadeira hidráulica, 1,3 tonelada de cassiterita e diversos equipamentos utilizados para garimpo ilegal no sul do Amazonas. A ação, batizada de “Murus Viridis IV”, foi realizada no último dia 2 de julho no interior do Parque Nacional dos Campos Amazônicos, uma unidade de conservação de proteção integral localizada no município de Novo Aripuanã (AM).

Segundo o ICMBio, a operação teve como foco a retirada de estruturas clandestinas e desmobilização de atividades mineradoras ilegais, que vinham destruindo áreas preservadas e avançando sobre ecossistemas sensíveis da floresta.

O que foi apreendido durante a operação

Durante a ofensiva, as equipes do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Humaitá encontraram e desativaram um acampamento usado por garimpeiros. Entre os materiais localizados e inutilizados estão:

  • 1 escavadeira hidráulica

  • 2 caixas separadoras

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  • 3 barracos de apoio

  • 4 motores bomba

  • 1 gerador

  • 1 balança digital

  • 1 motosserra

  • Aproximadamente 1.300 kg de cassiterita (minério de estanho)

  • 600 litros de óleo diesel

Todos os itens foram considerados de uso direto na atividade mineradora clandestina. Como não houve flagrante, nenhum suspeito foi detido no momento da ação.

Parque já foi alvo de outras operações

O Parque Nacional dos Campos Amazônicos já havia sido alvo de operações anteriores. Em menos de uma semana, esta foi a segunda ação contra garimpos ilegais na mesma unidade de conservação, o que levanta preocupações sobre a reincidência e a persistência da exploração ilegal na região.

Com mais de 960 mil hectares, o parque se estende pelos estados do Amazonas, Rondônia e Mato Grosso, sendo um dos principais pontos de conexão de biomas e áreas de biodiversidade únicas da Amazônia brasileira.

Impactos ambientais e sociais do garimpo ilegal

De acordo com técnicos do ICMBio, a cassiterita extraída ilegalmente na região é escoada por rotas clandestinas até centros de beneficiamento no norte do país, e a atividade gera impactos graves no solo, contamina recursos hídricos com óleo e mercúrio, e ameaça comunidades ribeirinhas e indígenas próximas ao parque.

A ONG Instituto Socioambiental (ISA) já havia alertado para a presença recorrente de acampamentos ilegais dentro de unidades de conservação no sul do Amazonas, associando a expansão garimpeira ao enfraquecimento da fiscalização durante os últimos anos.

Operação reforça combate ao crime ambiental

O ICMBio informou que a ação fez parte de um conjunto de operações estratégicas do governo federal para desarticular as redes ilegais de mineração e impedir a ocupação criminosa em áreas protegidas. Outras operações semelhantes ocorreram em áreas do Vale do Javari, Terra Indígena Tenharim-Marmelos e região de Maués.

Em nota oficial, o órgão reforçou que novas ações estão previstas para as próximas semanas, com uso de inteligência e apoio logístico de forças federais, incluindo o Exército e a Força Nacional, quando necessário.

O que se discute nas redes

Nas redes sociais, ambientalistas elogiaram a operação e cobraram ações mais frequentes e punitivas contra os financiadores do garimpo ilegal, que frequentemente permanecem impunes. Já usuários críticos ao governo federal alegam que a destruição de equipamentos, como escavadeiras, gera prejuízo sem resolver a origem do problema.

Especulações nas redes também levantam dúvidas sobre a atuação de intermediários políticos que estariam protegendo essas atividades em áreas isoladas da floresta.

O que está em jogo

A presença de garimpos em áreas de proteção integral representa um desafio constante à soberania ambiental brasileira. Além de ferir a legislação ambiental, a continuidade dessas atividades enfraquece o sistema nacional de unidades de conservação e compromete acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário, como o Acordo de Paris.

Resumo da operação Murus Viridis IV

  • Data: 2 de julho de 2025

  • Local: Parque Nacional dos Campos Amazônicos (Novo Aripuanã-AM)

  • Equipe: ICMBio / NGI Humaitá

  • Apreensões: escavadeira, motores, gerador, tonelada de cassiterita

  • Nenhuma prisão foi registrada

  • Objetivo: combater mineração clandestina em unidade de proteção integral

Veja Também: Polícia Federal Destrói Balsa Utilizada em Garimpo Ilegal no Lago do Tarumã, em Manaus

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