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sábado, maio 23, 2026

Do posto aos bares: entenda o esquema que levou metanol a bebidas e deixou mortos em São Paulo

Fábrica clandestina usava combustível tóxico desviado de postos no ABC Paulista para adulterar bebidas vendidas em bares e distribuidoras

Esquema com metanol deixa mortos em São Paulo: Uma operação conjunta da Polícia Civil de São Paulo e da Vigilância Sanitária Estadual revelou um esquema criminoso de adulteração de bebidas alcoólicas com metanol, substância altamente tóxica utilizada na indústria química e em combustíveis. O caso veio à tona após a confirmação de seis mortes e 38 pessoas intoxicadas em diferentes cidades do estado.

De acordo com as investigações, o metanol saía de dois postos de combustível localizados no ABC Paulista — um em São Bernardo do Campo e outro em Santo André — e era entregue a uma fábrica clandestina que produzia bebidas falsificadas. Essas bebidas eram posteriormente distribuídas para bares e pequenos comércios da região metropolitana de São Paulo.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) informou que a quadrilha misturava o metanol com álcool de cereais, reduzindo o custo de produção e aumentando o volume das bebidas, principalmente vodca e cachaça.

O perigo do metanol e os efeitos nas vítimas

O metanol é uma substância usada como combustível e solvente industrial, proibida para consumo humano. Em pequenas quantidades, pode causar cegueira, coma ou morte. Laudos do Instituto de Criminalística de São Paulo apontaram que as amostras apreendidas nas garrafas adulteradas continham teores entre 14% e 45% de metanol, níveis capazes de provocar envenenamento fatal em poucas horas.

Os primeiros casos de intoxicação foram registrados no início de outubro, quando pacientes deram entrada em hospitais com fortes dores de cabeça, visão turva, náusea e desorientação. Em alguns casos, os sintomas evoluíram para falência múltipla de órgãos. As mortes ocorreram em cidades como Ribeirão Pires, Mauá, Itapevi e São Bernardo do Campo.

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De acordo com o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP), as vítimas ingeriram bebidas compradas em bares e distribuidoras populares. O órgão orienta que consumidores evitem bebidas de procedência duvidosa e que procurem atendimento médico imediato se apresentarem sintomas após o consumo de álcool.

Como funcionava a rede de falsificação

As investigações apontam que o esquema era comandado por um grupo familiar, liderado por Vanessa Maria da Silva, presa na operação. Ela seria responsável por coordenar a compra ilegal de metanol e a distribuição das bebidas falsificadas.

Na fábrica clandestina, localizada na zona leste de São Paulo, agentes encontraram centenas de garrafas, rótulos falsificados e lacres de marcas conhecidas. A produção ocorria sem qualquer controle sanitário. Segundo a polícia, as bebidas eram revendidas a preços até 60% mais baixos do que o valor de mercado, o que facilitava a inserção nos comércios de bairro.

Os dois postos de combustível investigados estão com as atividades suspensas e seus proprietários podem responder por crime de falsificação de produto destinado a consumo humano, com pena que pode chegar a 15 anos de prisão.

Repercussão e alerta das autoridades

O caso gerou grande repercussão nas redes sociais, onde consumidores relataram medo e preocupação com o consumo de bebidas vendidas em bares locais. Termos como “vodca com metanol” e “bebida adulterada em SP” ficaram entre os mais comentados no X (antigo Twitter).

Alguns usuários questionam se a venda irregular de álcool industrial pode estar mais disseminada do que o divulgado, e se há outras redes clandestinas atuando em estados vizinhos.

O governo de São Paulo afirmou que intensificou as fiscalizações em fábricas e distribuidoras de bebidas em todo o estado. O Ministério da Justiça e Segurança Pública também acompanha o caso, e a Anvisa emitiu um alerta nacional para reforçar a vigilância de produtos suspeitos.

Próximos passos das investigações

A Delegacia de Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon) continua investigando o caso para identificar todos os envolvidos na cadeia de adulteração. As autoridades tentam rastrear o destino das remessas de metanol e determinar se o produto era vendido deliberadamente ou por erro de classificação de combustível.

O laudo completo das bebidas recolhidas deve ser divulgado nos próximos dias. Enquanto isso, a Polícia Civil mantém a orientação de que qualquer denúncia de venda de bebidas suspeitas seja feita pelo telefone 181 (Disque-Denúncia).

Veja Também: Polícia descobre fábrica clandestina de bebidas com metanol ligada à morte de duas pessoas em São Paulo

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