Tropas são enviadas para a tríplice fronteira com o Brasil em meio a impasse sobre a Ilha de Santa Rosa
Disputa por ilha no Amazonas: A tensão diplomática entre Colômbia e Peru voltou a crescer após o governo peruano formalizar a criação do distrito de Santa Rosa de Loreto, incluindo a Ilha de Santa Rosa — território formado por sedimentação na década de 1970 no rio Amazonas, próximo à tríplice fronteira com o Brasil.
O presidente colombiano Gustavo Petro acusa o Peru de violar o Tratado de Rio de Janeiro (1934) ao incorporar a ilha sem acordo bilateral, e alerta que a medida pode prejudicar o acesso da cidade de Leticia, na Colômbia, ao principal canal do rio.
Reação da Colômbia
Em resposta, Petro deslocou tropas para Leticia e transferiu para a cidade as comemorações da Batalha de Boyacá, tradicionalmente realizadas em outro ponto do país, como forma de reafirmar presença e soberania. Autoridades colombianas alertam que a ilha, se administrada integralmente pelo Peru, pode limitar a navegação colombiana no Amazonas.
O reforço militar inclui patrulhas fluviais e aumento da presença de forças de segurança na região.
Reação do Peru
O Peru também mobilizou tropas para a área e realizou uma visita oficial à ilha com a presença do primeiro-ministro Eduardo Arana, ministros e líderes militares. Durante a visita, bandeiras peruanas foram hasteadas, e o governo anunciou investimentos em infraestrutura e serviços para cerca de 3 mil moradores locais.
A presidente Dina Boluarte, em viagem ao exterior, declarou que “a soberania da Ilha de Santa Rosa não está em disputa” e que a jurisdição peruana sobre o território é plena.
Fator ambiental agrava disputa
Além da questão territorial, há um problema ambiental crítico. Estudos indicam que o fluxo de água pelo lado colombiano vem diminuindo devido à sedimentação. Em 1993, cerca de 30% do caudal do Amazonas passava por Leticia; em 2025, o índice caiu para 19,5%. Especialistas alertam que, se nada for feito, a cidade pode perder o acesso fluvial antes de 2030.
Impactos regionais e próximos passos
A escalada militar preocupa autoridades brasileiras, já que a ilha está próxima à fronteira do Amazonas. O Itamaraty acompanha o caso, embora ainda não tenha se manifestado oficialmente sobre a disputa.
Organismos internacionais de mediação e cooperação fluvial poderão ser acionados caso o impasse avance para um conflito diplomático mais grave.
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