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sábado, maio 23, 2026

Cheia em Manaus transforma bairros em lamaçais e obriga famílias a viverem cercadas de lixo e doenças

Água suja invade casas, espalha esgoto e lixo e expõe mais de 500 mil pessoas a risco sanitário na capital do Amazonas

Cheia em Manaus espalha lixo e doenças: A cheia do Rio Negro em Manaus ultrapassou a marca dos 29 metros, colocando diversos bairros da capital amazonense em estado de alerta severo. Regiões como Educandos, Raiz, Betânia, Centro e Compensa estão entre as mais afetadas. Ruas e casas estão cobertas por água turva misturada a lixo doméstico e esgoto, o que obriga milhares de moradores a viverem em condições insalubres e perigosas para a saúde.

Segundo a Defesa Civil do Amazonas, mais de 133 mil famílias já foram impactadas diretamente pela cheia em 2025, com cerca de 530 mil pessoas afetadas em todo o estado.

Moradores improvisam marombas e enfrentam doenças causadas pela água contaminada

Rotina de risco dentro de casa

Sem alternativas, os moradores montam passarelas de madeira, chamadas de marombas, dentro das próprias residências para tentar escapar da água. Mas isso não impede a contaminação. Muitos relatam conviver com mau cheiro, ratos, baratas e objetos boiando, como móveis, sacolas plásticas e restos de comida.

Segundo o Instituto Trata Brasil, o Amazonas registrou 5.574 internações por doenças de veiculação hídrica em 2024, incluindo hepatite A, leptospirose, diarreias e infecções na pele — doenças que tendem a aumentar com a cheia.

Esforços emergenciais ainda são insuficientes

A Prefeitura de Manaus e a Defesa Civil afirmam que já instalaram mais de 800 metros de pontes improvisadas nos bairros afetados, além de distribuírem kits de higiene, água potável e cestas básicas. Também foram recolhidas mais de 2.500 toneladas de lixo nos igarapés e canais urbanos da cidade desde o início do ano, segundo a Semulsp.

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Foram instaladas ecobarreiras em igarapés como o do Educandos e o do Quarenta para conter o avanço do lixo flutuante.

Falta de saneamento amplia impacto das cheias

Dados expõem vulnerabilidade estrutural

Manaus trata apenas 21,8% do esgoto gerado, de acordo com o Painel de Saneamento do Instituto Trata Brasil, sendo uma das capitais com pior cobertura de esgotamento sanitário do país. Essa deficiência torna os impactos da cheia ainda mais graves, já que o esgoto a céu aberto se mistura com a água que invade as casas.

A urbanização desordenada e a falta de drenagem adequada também contribuem para o agravamento da situação. A cada cheia, o cenário se repete: ruas inundadas, lixo acumulado e risco elevado de doenças.

Redes sociais expõem a realidade e pressionam por soluções permanentes

Nas redes sociais, vídeos e fotos mostram moradores caminhando com água até os joelhos, crianças brincando em águas escuras e lixo boiando pelas ruas. Hashtags como #CheiaEmManaus, #SaneamentoJá e #SOSAmazonas viralizaram nos últimos dias, com internautas cobrando das autoridades ações estruturantes e permanentes.

A principal crítica é que, todos os anos, as mesmas ações paliativas são aplicadas, mas nenhum projeto de saneamento amplo ou de urbanização nas áreas de risco avança efetivamente.

Especialistas alertam para impactos ambientais e climáticos

Pesquisadores apontam que eventos extremos como as cheias devem se tornar mais frequentes por causa das mudanças climáticas. Em menos de um ano, Manaus enfrentou uma das maiores secas da história da região, seguida por uma cheia intensa, mostrando o desequilíbrio ambiental causado pelo desmatamento e pela falta de infraestrutura resiliente.

Segundo o Inmet, o volume de chuvas nos primeiros meses de 2025 superou a média histórica, pressionando ainda mais o sistema hídrico da região.

Veja Também: Aumento do Nível do Rio Negro Gera Acúmulo de Lixo e Preocupação Ambiental em Manaus

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