Ataques dos EUA não destruíram totalmente infraestrutura nuclear, diz agência da ONU
Irã pode retomar programa nuclear: O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou que o Irã pode retomar o enriquecimento de urânio “em questão de meses”, mesmo após os bombardeios dos Estados Unidos em junho. A declaração contradiz diretamente o presidente norte-americano Donald Trump, que havia dito que os ataques “obliteraram” as capacidades nucleares iranianas.
O que aconteceu: os ataques e a resposta do Irã
Em meados de junho, os Estados Unidos lançaram uma série de ataques aéreos contra instalações suspeitas de abrigar o programa nuclear iraniano. Segundo fontes da inteligência dos EUA, o objetivo era desmantelar a capacidade técnica e atrasar a produção de urânio enriquecido.
No entanto, relatórios obtidos pela imprensa internacional revelaram que a operação não causou a destruição completa das centrífugas e estoques de urânio. O próprio Grossi declarou à CBS News, em entrevista veiculada neste domingo (29), que o Irã “tem capacidade de reativar suas cascatas de centrífugas e reiniciar o enriquecimento em questão de meses”.
Declarações contraditórias: Trump vs AIEA
Enquanto Trump alegava que as operações dos EUA haviam “atrasado o Irã por décadas”, a AIEA alerta que essa estimativa não reflete a realidade técnica. Segundo Grossi, o país ainda dispõe de conhecimento, equipamentos e materiais necessários para retomar suas atividades em curto prazo.
“Não se pode dizer que tudo desapareceu. A infraestrutura física foi afetada, mas não eliminada. Eles ainda têm a capacidade de voltar em um tempo relativamente curto”, disse Grossi em entrevista à CBS.
Fontes do Departamento de Inteligência de Defesa dos EUA (DIA), ouvidas anonimamente pela Reuters, também reforçam que os danos foram “significativos, porém não catastróficos”, estimando um atraso de no máximo três a quatro meses no programa nuclear iraniano.
Reações nas redes: desinformação e ceticismo
A fala de Grossi gerou forte repercussão online. Usuários nas redes sociais dividiram opiniões sobre a real eficácia dos ataques. Parte da população iraniana, segundo publicações no X (antigo Twitter), vê a declaração como sinal de que o país ainda mantém soberania nuclear, enquanto críticos da gestão Biden e Trump acusam o governo norte-americano de manipular dados para justificar a ofensiva.
Grupos conservadores nos EUA, por outro lado, interpretam as falas da AIEA como uma tentativa de minimizar os resultados do ataque, para enfraquecer a narrativa de vitória promovida por Trump.
O que pode acontecer agora?
A volta da capacidade de enriquecimento de urânio por parte do Irã pode representar um novo ponto de tensão no Oriente Médio. A retomada rápida das atividades nucleares pode forçar os EUA e seus aliados a reavaliarem suas estratégias de contenção. A ONU e a AIEA, por sua vez, devem pressionar por novas inspeções nas instalações iranianas.
Além disso, analistas de segurança internacional alertam que o clima de incerteza pode impactar o mercado energético global, sobretudo os preços do petróleo, caso o conflito se intensifique na região.
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