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sábado, maio 23, 2026

Anac revela: Voepass fez 2,6 mil voos sem manutenção adequada após tragédia de Vinhedo

Agência suspende definitivamente as operações da empresa aérea e aplica multa após descobrir falhas graves em aeronaves

Voepass é suspensa após 2.600 voos irregulares: A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) cassou de forma definitiva o Certificado de Operador Aéreo (COA) da Voepass Linhas Aéreas após constatar que a empresa realizou pelo menos 2.600 voos comerciais com sete aviões que não passaram pela manutenção obrigatória, mesmo após o trágico acidente ocorrido em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, que matou 62 pessoas.

Além da suspensão, a Anac aplicou uma multa de R$ 570 mil, classificando as condutas da companhia como “falhas graves e persistentes”, com potencial para comprometer diretamente a segurança das operações aéreas.

Aviões operavam com defeitos estruturais, segundo a Anac

Inspeções obrigatórias foram ignoradas por meses

Durante uma fiscalização iniciada em março de 2025, a Anac identificou que a Voepass havia deixado de cumprir 20 inspeções obrigatórias em sete aeronaves. As irregularidades detectadas incluíam danos estruturais na fuselagem, trincas nas junções das asas e falta de avaliação técnica independente.

Esses problemas, segundo a agência, configuram um cenário de degradação dos controles internos da empresa, colocando em risco não apenas os passageiros, mas toda a malha aérea regional.

Cassação definitiva e impacto para o setor aéreo

Voepass perde direito de operar e não poderá retomar atividades

A decisão da Anac tem efeito imediato e definitivo, e impede que a Voepass opere voos comerciais no Brasil. A companhia já estava sob regime de operação assistida desde o acidente de Vinhedo, com acompanhamento direto da agência reguladora.

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O relator do processo na Anac, Luiz Ricardo Nascimento, destacou que a empresa teve prazo suficiente para corrigir os problemas, mas não demonstrou comprometimento com a regularização. “A Voepass não garantiu sequer o mínimo de segurança exigido para a continuidade das operações”, afirmou.

Tragédia de Vinhedo foi ponto de ruptura

Acidente matou 62 pessoas e desencadeou fiscalização rigorosa

O acidente ocorrido em 9 de agosto de 2024, quando um avião da Voepass caiu sobre um condomínio em Vinhedo (SP), matou 62 pessoas, entre passageiros e moradores. A tragédia foi o maior desastre aéreo regional no Brasil desde 2007 e motivou a Anac a abrir uma auditoria completa nos processos internos da companhia.

Na época, a investigação apontou falhas na supervisão técnica e no cumprimento de diretrizes de manutenção — elementos que foram confirmados agora pelo relatório final da agência.

Defesa da empresa e repercussão nas redes

Voepass se diz injustiçada, mas decisão da Anac é irrevogável

Em nota, a Voepass alegou que não teve tempo suficiente para se adequar às exigências da operação assistida e classificou a cassação como “penalidade desproporcional”. O advogado da empresa, Gustavo Albuquerque, afirmou que o fim do COA torna “praticamente impossível” a retomada das atividades, mesmo com a intenção de recorrer.

Nas redes sociais, usuários reagem com indignação. “E se eu tivesse embarcado em um desses voos?”, questionou um internauta. Outros comentam que a falta de fiscalização mais rigorosa antes da tragédia expôs falhas sistêmicas no setor.

Veja Também: Voepass Retoma Operações na Rota do Avião Acidentado em Vinhedo (SP)

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