Presidente deve ouvir ministros da Corte e Davi Alcolumbre antes de definir o nome que substituirá o atual presidente do Supremo
Lula define novo ministro do STF: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu esperar a saída oficial de Luís Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal (STF) para anunciar o novo ministro da Corte. A aposentadoria de Barroso, que deixa o cargo de forma antecipada aos 67 anos, abre uma vaga estratégica no tribunal, reforçando a influência do atual governo sobre o Judiciário.
Segundo fontes do Palácio do Planalto e da Suprema Corte, Lula já iniciou uma rodada de conversas reservadas com ministros do STF para avaliar perfis e ouvir conselhos sobre a escolha. Antes do anúncio oficial, o presidente também pretende dialogar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), responsável por conduzir a sabatina e votação do futuro indicado na Casa.
Barroso deixa o STF e encerra trajetória marcada por protagonismo
O ministro Luís Roberto Barroso formalizou sua aposentadoria e deixará o Supremo no sábado, 18 de outubro de 2025, encerrando uma carreira de mais de uma década na Corte. Barroso assumiu o posto em 2013, indicado pela então presidente Dilma Rousseff, e se tornou conhecido por sua atuação em temas sensíveis, como descriminalização do aborto, legalização da maconha, demarcação de terras indígenas e liberdade de expressão nas redes sociais.
Ele também presidiu o STF em um dos períodos mais conturbados da história recente do tribunal, marcado por embates com o Congresso e militares, e por decisões de impacto político. Em seu discurso de despedida, Barroso destacou que deixa o cargo “com a alma em paz e o dever cumprido”.
Com a saída do ministro, Lula passa a ter a segunda oportunidade de indicar um nome ao STF em seu atual mandato — a primeira foi a nomeação de Flávio Dino, que assumiu o posto em 2024.
Perfis avaliados por Lula e bastidores da escolha
Entre os nomes considerados pelo presidente, despontam Jorge Messias, atual advogado-geral da União e homem de confiança de Lula; Maria Elizabeth Rocha, ministra do Superior Tribunal Militar e defensora de pautas progressistas; e Rodrigo Pacheco, presidente do Congresso Nacional, que embora improvável, é lembrado por aliados como um nome de consenso político.
Fontes próximas ao Planalto afirmam que Lula deseja um perfil técnico, de equilíbrio institucional, e que tenha bom trânsito entre diferentes alas do Judiciário. Ministros do STF sugeriram que o presidente opte por alguém de “postura firme, mas com temperamento moderado”, para evitar novos atritos dentro da Corte.
Além disso, Lula estaria considerando equilíbrio de gênero e diversidade como fatores simbólicos da escolha, avaliando se é o momento de indicar uma mulher ou uma pessoa negra ao tribunal.
Nos bastidores, circula também a hipótese de que o presidente prefira adiar o anúncio para depois das eleições municipais de 2025, a fim de evitar desgaste político com o Congresso e a base governista.
O papel de Davi Alcolumbre e o jogo político no Senado
A decisão de Lula em consultar Davi Alcolumbre é vista como uma estratégia de cautela. O senador, que preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), é responsável por pautar a sabatina do indicado. Em votações anteriores, como a de Flávio Dino, Alcolumbre exerceu papel decisivo para garantir o apoio necessário na Casa.
O Planalto avalia que uma relação de confiança com o presidente da CCJ é essencial para evitar resistência de senadores conservadores e facilitar a aprovação do novo ministro. Além disso, o diálogo antecipado busca blindar o processo de indicações futuras, já que até o fim do mandato Lula poderá indicar até três nomes ao STF, caso ocorram novas aposentadorias.
Especulações nas redes e debate público
Nas redes sociais, o assunto vem gerando debates intensos. Parte dos internautas e analistas políticos acredita que Lula escolherá um nome “alinhado ideologicamente” ao governo, enquanto outros defendem uma indicação técnica, capaz de fortalecer a imagem de independência do Supremo.
Há também quem veja a escolha como uma tentativa de recompor relações entre Executivo e Judiciário, especialmente após decisões polêmicas sobre liberdade de expressão e regulação das redes sociais.
Independentemente da especulação, o consenso entre analistas é que a nova indicação será determinante para o futuro equilíbrio do STF — tanto em pautas políticas quanto em julgamentos de repercussão nacional.
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