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sábado, maio 23, 2026

Farra do INSS: Conafer tentou filiar criança e até pessoas mortas, aponta auditoria da CGU

Relatório revela fraude milionária em descontos indevidos em benefícios previdenciários; caso é investigado pela CPMI do INSS e pode gerar responsabilizações criminais

Conafer é investigada por fraude no INSS: Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou um dos maiores escândalos recentes envolvendo fraudes em benefícios previdenciários no Brasil. A investigação aponta que a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) tentou filiar uma criança de 9 anos e até pessoas já falecidas ao sistema do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com o objetivo de aplicar descontos associativos fraudulentos em aposentadorias e pensões.

O relatório, encaminhado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, expõe um suposto esquema de falsificação de fichas de filiação, manipulação de dados pessoais e uso de cadastros inexistentes para desviar recursos de beneficiários.

Auditoria da CGU identificou milhares de fraudes

De acordo com a auditoria, a Conafer apresentou fichas de filiação que incluíam pessoas mortas há décadas e até uma criança de 9 anos, o que evidenciou manipulação deliberada dos cadastros. Os falsos filiados eram utilizados para autorizar descontos mensais de contribuição associativa diretamente nos benefícios pagos pelo INSS.

O levantamento mostrou que, entre 2021 e 2024, foram registradas mais de 3,3 mil tentativas de desconto indevido em benefícios de segurados já falecidos. Em muitos casos, a data de filiação constava posterior ao óbito do suposto associado, reforçando a suspeita de fraude documental.

Os auditores também perceberam padrões semelhantes em e-mails e assinaturas eletrônicas, o que sugere que os cadastros podem ter sido criados artificialmente pela própria entidade para simular adesões de filiados inexistentes.

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CPMI e Polícia Federal investigam suposto desvio de R$ 688 milhões

O relatório da CGU foi encaminhado à CPMI do INSS, que já instaurou requerimentos de prisão preventiva contra 21 pessoas ligadas ao esquema. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal também acompanham o caso, que está sendo tratado como fraude contra a administração pública e pode envolver crimes de falsidade ideológica e corrupção ativa.

Segundo estimativas apresentadas pela CGU, o total arrecadado pela Conafer por meio de descontos associativos irregulares pode ultrapassar R$ 688 milhões desde 2019. O dinheiro seria descontado de forma automática de aposentadorias, pensões e benefícios de trabalhadores rurais e indígenas — sem autorização válida dos titulares.

Defesa da Conafer e posicionamento das autoridades

Em nota pública, a Conafer negou as acusações e afirmou que não realiza filiações de pessoas físicas, apenas de entidades associadas (como cooperativas e sindicatos). A confederação declarou que não teve acesso integral ao relatório da CGU e que abriu sindicância interna para apurar eventuais irregularidades cometidas por filiados.

Apesar da defesa, a CGU confirmou que a Conafer é alvo de Processo Administrativo de Responsabilização (PAR) com base na Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013), por uso de documentos falsos e tentativa de obtenção de vantagem ilícita.

O presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, chegou a ser preso em flagrante por falso testemunho durante depoimento à CPMI, mas foi liberado após prestar esclarecimentos. Parlamentares afirmam que o depoimento de Lopes “faltou com a verdade” ao negar as irregularidades apontadas pela auditoria.

Reações nas redes e repercussão política

Nas redes sociais, a denúncia tem gerado forte repercussão. Internautas acusam a Conafer de protagonizar uma “farra do INSS”, expressão que rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados no X (antigo Twitter). Usuários exigem punições exemplares e pedem a devolução do dinheiro aos beneficiários prejudicados.

Entre políticos, o caso alimenta debates sobre a vulnerabilidade do sistema previdenciário brasileiro e a necessidade de revisão das autorizações de descontos automáticos. Parlamentares da CPMI afirmaram que novas entidades e servidores públicos podem ser incluídos na investigação.

O presidente da CPMI, senador Sérgio Moro, declarou que o caso “evidencia a fragilidade do controle de dados do INSS e o uso indevido de informações pessoais de cidadãos”. A CGU deve apresentar um relatório complementar até o final de outubro com novos nomes e valores envolvidos.

O impacto para os beneficiários

Milhares de aposentados e pensionistas que sofreram descontos indevidos continuam sem reembolso, enquanto o INSS tenta bloquear novas cobranças associativas. A instituição informou que já implementou novas camadas de autenticação para validar autorizações e prometeu devolver os valores descontados irregularmente após a conclusão das apurações.

Especialistas em direito previdenciário destacam que o caso da Conafer é apenas “a ponta do iceberg”, revelando um sistema frágil e vulnerável a fraudes organizadas. Advogados e sindicatos orientam beneficiários a monitorar extratos de pagamento do INSS e denunciar descontos desconhecidos.

Veja Também: Fraude no INSS: sindicato de irmão de Lula é alvo de buscas da Polícia Federal

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