Presidente da Câmara reage a pedido de Eduardo Bolsonaro para exercer liderança política enquanto vive nos Estados Unidos
Hugo Motta nega mandato remoto de Eduardo Bolsonaro: O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (6) que “é impossível exercer o mandato de outro país”, ao comentar o pedido do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para atuar remotamente enquanto vive nos Estados Unidos. A fala de Motta encerra qualquer expectativa de flexibilização do regimento interno da Casa, que exige presença física dos parlamentares em Brasília para o exercício do cargo.
“O regimento é claro, e nós o cumpriremos. Não há como um deputado exercer mandato fora do território nacional”, declarou o presidente da Câmara, em resposta a questionamentos de jornalistas sobre o tema. A declaração ocorre após Eduardo Bolsonaro ter enviado um ofício à Mesa Diretora solicitando autorização para participar de votações e reuniões de forma remota.
Pedido de Eduardo Bolsonaro reacende debate sobre mandato à distância
Eduardo Bolsonaro justificou o pedido alegando estar sofrendo “perseguição política” no Brasil e afirmou que, com os recursos tecnológicos disponíveis, seria possível manter suas funções de maneira remota — citando como precedente o modelo adotado durante a pandemia de covid-19, quando sessões virtuais foram implementadas para evitar aglomerações.
Fontes ligadas à Câmara, entretanto, confirmam que a situação de Eduardo é diferente, já que o modelo remoto durante a pandemia foi temporário e emergencial, aprovado por resolução interna e posteriormente revogado. Segundo o regimento atual, a ausência em mais de um terço das sessões deliberativas sem justificativa pode levar à cassação do mandato.
Dados levantados pela Secretaria-Geral da Mesa indicam que Eduardo Bolsonaro já acumula faltas significativas, aproximando-se do limite que poderia gerar sanções disciplinares. Caso continue ausente, a Corregedoria da Câmara poderá abrir procedimento para apurar descumprimento de dever funcional.
Reação política e discussões nas redes sociais
Nas redes, o assunto gerou ampla repercussão. Apoiadores de Eduardo Bolsonaro defenderam o direito de atuação remota, citando avanços tecnológicos e precedentes internacionais, enquanto opositores criticaram o pedido como uma tentativa de “manter cargo público à distância”.
Internautas também questionaram se o parlamentar estaria tentando evitar comparecimento em votações sensíveis, já que o Congresso discute temas de alto impacto político. Entre os comentários mais compartilhados, destaca-se a percepção de que o caso pode criar um perigoso precedente para o Legislativo.
Câmara reforça posição e rechaça exceções
Fontes próximas a Hugo Motta afirmam que o presidente da Câmara não pretende flexibilizar regras nem abrir precedentes que permitam o exercício de mandato fora do país. “A presença parlamentar é um princípio da representação democrática”, teria dito Motta em reunião com líderes partidários.
O posicionamento foi bem recebido pela maioria das bancadas, que consideram o pedido de Eduardo Bolsonaro incompatível com a função pública. Mesmo parlamentares da base do PL reconhecem que a manutenção do mandato exige participação efetiva em plenário, algo que não pode ser garantido à distância.
O episódio deve seguir em debate interno, mas a tendência é que o caso sirva como exemplo para reforçar a obrigatoriedade da presença dos deputados em território nacional durante o exercício do cargo.
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