Prisões chocam o Amazonas após revelações sobre crimes cometidos dentro da própria delegacia
PMs presos por estupro no AM: Quatro agentes de segurança pública — três policiais militares e um guarda municipal — foram presos nesta sexta-feira (26) sob acusações gravíssimas: estupro de uma mulher indígena da etnia Kokama, de 29 anos, dentro da delegacia de Santo Antônio do Içá, no interior do Amazonas. A vítima estava presa há nove meses no local e relatou ter sido violentada repetidamente.
Delegacia virou local de abusos sistemáticos, segundo investigação
De acordo com o Ministério Público do Amazonas (MP-AM), os crimes ocorreram de forma sistemática, inclusive durante a gravidez da vítima. Ela permaneceu detida em cela improvisada e sem estrutura adequada, ao lado de presos homens, o que já configura uma grave violação de direitos humanos.
Segundo a denúncia, os abusos ocorriam geralmente à noite, quando os agentes entravam na cela e a violentavam em grupo. Em alguns episódios, os crimes teriam sido cometidos até na presença do recém-nascido da vítima, que permaneceu com ela na cela por cerca de dois meses após o parto.
Prisões em três cidades e inquéritos por tortura e estupro qualificado
As prisões dos suspeitos ocorreram simultaneamente em Manaus, Tabatinga e Santo Antônio do Içá, por meio de mandados expedidos pelo Poder Judiciário a pedido do MP. Dois outros policiais também são investigados, mas ainda não haviam sido localizados até o fechamento desta matéria.
Os crimes investigados são:
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Estupro de vulnerável
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Estupro qualificado
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Tortura
O caso está sendo investigado por meio de:
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Inquérito Policial Militar (IPM) da Polícia Militar
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Inquérito da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher
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Apuração interna da Corregedoria-Geral de Justiça
Comandante da PM promete rigor: “Não vamos tolerar criminosos na farda”
Em entrevista, o comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Kássio Almeida, foi direto: “Não vamos tolerar criminosos na farda. Todos os envolvidos responderão dentro da lei e, caso comprovada a culpa, serão expulsos da corporação.”
A guarda municipal envolvida também será investigada em sindicância administrativa, segundo a prefeitura do município.
Caso gera revolta e debate sobre racismo e violência contra povos indígenas
O caso gerou forte repercussão nas redes sociais, onde internautas denunciam o racismo estrutural e a violência histórica contra indígenas no Brasil. Parlamentares e organizações indígenas pedem proteção à vítima e responsabilização exemplar dos envolvidos. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) divulgou nota afirmando que acompanha o caso e cobra justiça e reparação.
“É inadmissível que uma mulher indígena seja submetida a tamanha brutalidade sob custódia do Estado. Esse caso não pode ficar impune”, disse em nota o Cimi (Conselho Indigenista Missionário).
Especulações nas redes apontam omissão e encobrimento
Usuários do X (antigo Twitter) e do Instagram questionam como os crimes puderam acontecer durante nove meses sem que ninguém interviesse, levantando suspeitas de omissão de superiores e tentativas de encobrimento. Alguns relatos indicam que a mulher teria feito denúncias verbais antes, que foram ignoradas. O Ministério Público informou que ainda apurará se houve omissão por parte de outros agentes ou autoridades locais.
Justiça deve se posicionar nos próximos dias sobre medidas cautelares
Os suspeitos permanecem presos preventivamente e devem ser ouvidos nos próximos dias. A defesa dos envolvidos ainda não se manifestou publicamente. A mulher indígena, agora sob custódia em local seguro, recebe acompanhamento psicológico e jurídico garantido por defensores públicos e entidades de direitos humanos.
Veja também: Ministério Público pede prisão domiciliar a Indígena que denunciou PMs por estupro no AM


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