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sábado, maio 23, 2026

Rastro do PIX: PF prende assessor com R$ 700 mil ligado a ataque hacker milionário ao Banco Central

Relatório do BC revelou rota do dinheiro por quatro empresas até chegar à conta de Jackson Renei, preso com malote de dinheiro em Roraima

Assessor preso com R$ 700 mil após golpe via PIX: A Polícia Federal prendeu em flagrante o assessor parlamentar Jackson Renei Aquino de Souza, de 38 anos, após ele sair de uma agência bancária em Boa Vista (RR) carregando R$ 700 mil em espécie. A prisão, realizada no dia 22 de julho, é um dos desdobramentos da Operação Magna Fraus, que investiga um sofisticado ataque hacker contra sistemas ligados ao Banco Central, com prejuízo estimado em R$ 800 milhões.

De acordo com relatório oficial do Banco Central, enviado à PF, o dinheiro desviado passou por quatro empresas de fachada, usadas para ocultar a origem ilícita dos valores, antes de cair diretamente na conta do assessor.

Como o dinheiro chegou até Jackson

A movimentação atípica foi identificada no início de julho, após o Banco Central cruzar dados de transações do sistema PIX com alertas de inteligência financeira. Segundo o relatório, a conta de Jackson recebeu R$ 2,4 milhões em diferentes repasses — sendo R$ 1,85 milhão de uma empresa e R$ 600 mil de outra, ambas sem vínculo declarado com o servidor.

O montante foi transferido para uma conta poupança no Banco do Brasil, e a retirada em espécie de R$ 700 mil foi feita de forma fracionada, despertando suspeitas de tentativa de ocultação.

Durante a abordagem da PF, Jackson não conseguiu explicar a origem exata do dinheiro e afirmou que se tratava de uma negociação com “um garimpeiro venezuelano”, na qual teria atuado como intermediador por comissão de R$ 200 mil. A versão foi considerada “inverossímil” pelos investigadores.

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Entenda o ataque hacker que deu origem à operação

O ataque teve como alvo a empresa C&M Software, prestadora de serviços do Banco Central. Em 2 de julho, criminosos conseguiram acesso privilegiado ao sistema de transferências automatizadas entre contas bancárias e realizaram movimentações fraudulentas de grandes valores.

Segundo as investigações, um funcionário da empresa foi subornado para facilitar o acesso aos sistemas. O dinheiro foi rapidamente distribuído entre contas jurídicas e pessoais, além de convertido em criptomoedas como Bitcoin e USDT, numa tentativa de dificultar o rastreamento.

Plataformas como SmartPay auxiliaram a PF, bloqueando carteiras suspeitas e devolvendo R$ 5,5 milhões em ativos digitais.

Prisão, buscas e bloqueios: os passos da Operação Magna Fraus

Até o momento, a operação já resultou em:

  • 5 mandados de prisão e 10 de busca e apreensão nos estados de Goiás, Pará e Roraima;

  • Confisco de criptomoedas, equipamentos eletrônicos e documentos falsos;

  • Bloqueio judicial de valores em contas bancárias e carteiras digitais.

A PF considera que a prisão de Jackson pode levar à identificação de outros agentes políticos ou servidores públicos eventualmente envolvidos no esquema.

PIX: ferramenta de pagamento também usada como pista

O caso escancara como o próprio sistema PIX, usado para o golpe, acabou sendo fundamental para desvendar o esquema. As transações rastreadas em tempo real permitiram à PF construir o fluxo do dinheiro e agir antes que os valores fossem completamente lavados ou enviados para o exterior.

Repercussão nas redes e suspeitas de elo político

No X (antigo Twitter) e no Instagram, usuários discutem a possibilidade de envolvimento de parlamentares no caso, já que Jackson atuava como assessor legislativo. Ainda não há confirmação oficial de vínculo com políticos, mas especulações apontam para um possível uso da estrutura pública para encobrir fraudes.

A PF ainda não divulgou o nome do gabinete ao qual o assessor estava vinculado, alegando sigilo de investigação.

Veja Também: Vazamento de dados do Pix, expõe mais de 11 milhões de pessoas

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