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sábado, maio 23, 2026

Ministério Público pede prisão domiciliar a Indígena que denunciou PMs por estupro no AM

Justiça avalia medida de prisão domiciliar com monitoramento eletrônico para mulher Kokama vítima de violência em delegacia no interior do AM

MP quer tornozeleira para indígena no AM: A indígena Kokama de 29 anos, que denunciou ter sido estuprada por policiais militares e um guarda municipal enquanto estava presa na 53ª Delegacia de Santo Antônio do Içá (AM), pode ser submetida à prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. O pedido foi apresentado pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) e aguarda decisão da Justiça.

O caso veio à tona após denúncias de abusos sexuais praticados repetidamente durante nove meses, inclusive após o nascimento de seu filho dentro da cela. A vítima estava presa desde novembro de 2022 por suposto envolvimento em um homicídio ocorrido em 2018.

Estupro sistemático e abandono institucional

Segundo a denúncia formalizada à Defensoria Pública, a indígena foi mantida presa em condições degradantes, sem acompanhamento adequado, com o filho recém-nascido e vulnerável a abusos frequentes. O caso chamou a atenção da imprensa e levou o MPAM a instaurar uma investigação para apurar os crimes cometidos por agentes públicos.

Apesar de ser vítima, a indígena ainda responde ao processo criminal que originou sua prisão. Como alternativa à prisão convencional, o MPAM propôs que ela cumpra prisão domiciliar, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica, alegando necessidade de garantia da ordem legal.

Pedido causa indignação nas redes e entre ativistas

A proposta do MP gerou forte repercussão negativa nas redes sociais. Usuários questionam o fato de uma vítima de estupro estar sendo monitorada enquanto os acusados — agentes do Estado — ainda não foram punidos. Muitos internautas apontam que a medida parece uma inversão de papéis, onde a vítima seria tratada como criminosa.

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A Defensoria Pública, que atua no caso, afirma que a mulher está em situação de extrema vulnerabilidade física e emocional e pede garantias de proteção à integridade dela e do filho. Até o momento, nenhum dos policiais denunciados foi afastado ou preso, conforme divulgado por veículos como Amazonas Atual e Portal do Holanda.

MP justifica medida como proteção processual

Em nota, o MPAM alegou que o pedido de tornozeleira não é punição, mas uma forma de permitir o cumprimento da ordem judicial fora do ambiente carcerário, respeitando a maternidade e a saúde da mulher. Ainda assim, o órgão não explicou por que os policiais denunciados seguem livres.

Enquanto isso, a Polícia Civil e a Corregedoria da PM seguem investigando os agentes citados na denúncia, e a Justiça Federal foi acionada pela Defensoria para garantir segurança institucional e reparação à indígena, inclusive com pedido de indenização por danos morais.

Especulações e futuro do caso

A comunidade indígena Kokama e movimentos sociais temem que o caso caia na impunidade. Já circulam especulações nas redes de que o pedido de tornozeleira seria uma forma sutil de silenciar ou desacreditar a vítima, sobretudo diante da falta de punição dos autores dos crimes.

Enquanto o processo judicial segue em andamento, cresce a pressão para que o sistema de justiça trate a mulher como vítima protegida, e não como ameaça à sociedade. Organizações de direitos humanos devem acompanhar o caso de perto nos próximos dias.

Veja também: Polícia do Amazonas caça dupla suspeita de comprar dados de cartões e aplicar golpes online

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