Produto Interno Bruto recua 0,5% no primeiro trimestre e acende sinal de alerta em meio a desaceleração do consumo e novas medidas comerciais
EUA: PIB cai e consumo desacelera: A economia dos Estados Unidos registrou queda de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2025. Trata-se da primeira retração econômica desde 2022, segundo dados revisados divulgados pelo Departamento de Comércio. A estimativa inicial apontava uma contração menor, de 0,2%.
A principal causa do recuo foi o desempenho abaixo do esperado do consumo das famílias, que avançou apenas 0,5%, em contraste com os 4% do trimestre anterior. A baixa confiança do consumidor também foi um fator relevante, com o índice da Conference Board recuando para 93 pontos, em linha com a perda de fôlego da atividade econômica.
Tarifas comerciais afetam desempenho econômico
A nova rodada de tarifas sobre produtos importados anunciada pelo governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, teve efeitos diretos no desempenho do trimestre. Empresas e consumidores anteciparam compras antes da entrada em vigor das medidas, o que provocou um aumento de 37,9% nas importações.
Esse comportamento gerou impacto negativo no cálculo do PIB, com as importações contribuindo para uma subtração de 4,7 pontos percentuais no resultado trimestral. A política comercial adotada reacendeu o debate sobre o custo econômico das tarifas para o mercado interno.
Projeções indicam risco de estagflação
Com inflação elevada, juros altos e agora retração no crescimento, economistas passaram a considerar a possibilidade de estagflação — um cenário caracterizado por estagnação econômica acompanhada de pressão inflacionária.
O JPMorgan revisou sua projeção de crescimento dos EUA para 2025, de 2,0% para 1,3%, e estimou 40% de chance de recessão no segundo semestre. O Federal Reserve, por sua vez, afirmou que a atual conjuntura exige cautela e não sinalizou cortes imediatos na taxa de juros.
Repercussão e incerteza no cenário global
A queda do PIB dos EUA repercutiu nos mercados financeiros internacionais, com recuo nos principais índices das bolsas americanas. O índice Dow Jones encerrou o dia com queda de 1,4%, enquanto Nasdaq e S&P500 também fecharam em baixa.
Nas redes sociais, analistas e especialistas passaram a discutir as possíveis consequências das tarifas impostas recentemente e a desaceleração do consumo doméstico. O debate gira em torno da sustentabilidade das medidas protecionistas em um contexto de desaceleração econômica.
Expectativa para os próximos meses
Apesar do resultado negativo no primeiro trimestre, o Federal Reserve de Atlanta projeta um crescimento de até 3,4% no segundo trimestre, o que pode indicar uma recuperação pontual. No entanto, o comportamento do consumo, os efeitos acumulados das tarifas e a política monetária restritiva continuarão sendo fatores determinantes para o desempenho da economia americana no restante do ano.
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