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sábado, maio 23, 2026

Parque eólico brasileiro reacende disputa centenária com o Uruguai por território na fronteira sul

Empreendimento de R$ 2,4 bilhões é instalado em área que Montevidéu considera sua; governo uruguaio protesta e crise territorial volta ao debate

Disputa Brasil x Uruguai: A construção do Complexo Eólico Coxilha Negra, no município de Santana do Livramento (RS), reacendeu uma antiga disputa territorial entre Brasil e Uruguai. O empreendimento, avaliado em R$ 2,4 bilhões, foi instalado em uma área de 22 mil hectares próxima ao Rio Quaraí — região que o Uruguai reivindica como parte de seu território desde a década de 1930.

O projeto de energia renovável é operado pela CGT Eletrosul, subsidiária da Eletrobras, e conta com 72 aerogeradores distribuídos em três usinas. A capacidade total de geração chega a 302,4 megawatts, o suficiente para abastecer mais de 1,5 milhão de pessoas. A obra foi licenciada em 2021 e iniciou a operação em fases a partir de 2023.

Uruguai contesta soberania da área e emite nota diplomática

A instalação das torres em solo considerado controverso causou reação imediata do governo uruguaio, que enviou nota diplomática ao Brasil reforçando que a construção “não constitui reconhecimento da soberania brasileira sobre a área”. Embora o território esteja sob controle do Brasil há mais de um século, o Uruguai nunca abriu mão formalmente da reivindicação.

A área é conhecida como Rincão de Artigas, uma faixa rural na fronteira entre o departamento de Rivera e o município de Santana do Livramento. A disputa remonta ao século XIX, mas ganhou caráter oficial em 1934, quando o Uruguai contestou os marcos colocados pelo Brasil. Desde então, o impasse permanece sem resolução formal.

Projeto energiza economia local, mas acirra sensibilidade política

Enquanto o parque eólico é apontado como um dos maiores investimentos em energia limpa do sul do país, a tensão diplomática se intensificou. O Uruguai alega que não foi previamente consultado sobre a instalação das turbinas e que a presença de infraestrutura permanente agrava a disputa ao consolidar, de fato, a posse brasileira.

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O Brasil, por sua vez, evita tratar o caso como litígio e reforça que a área está sob jurisdição nacional, com administração pública, cadastro fundiário e presença de moradores brasileiros.

Repercussão nas redes e questionamentos sobre soberania

A situação ganhou força nas redes sociais, principalmente entre usuários uruguaios que viralizaram vídeos e imagens pedindo a “restituição” do território. Alguns perfis ligados a grupos nacionalistas uruguaios chegaram a redesenhar mapas, marcando a área como pertencente ao Uruguai, o que reacendeu o debate sobre fronteiras esquecidas.

Do lado brasileiro, as reações foram mais pragmáticas. Especialistas em relações internacionais apontam que a disputa tem baixo potencial de gerar conflito, mas não descartam impactos diplomáticos e repercussões em acordos bilaterais, especialmente na área de energia e meio ambiente.

Disputa segue sem resolução formal

Apesar do protesto oficial, não há indícios de que o Uruguai vá levar a questão à Corte Internacional de Justiça ou solicitar arbitragem. O Itamaraty não comentou oficialmente o caso, mas fontes diplomáticas indicam que o Brasil trata a questão como encerrada desde o início do século XX, sustentando a soberania de fato e de direito.

A expectativa é que, mesmo com a tensão momentânea, os dois países mantenham o diálogo diplomático aberto, sem comprometer relações históricas de cooperação fronteiriça.

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