Aliança militar aprova aumento histórico nos investimentos em defesa até 2035; países alertam para riscos de nova escalada com Moscou
A resolução marca uma das maiores mudanças estruturais desde o fim da Guerra Fria e foi descrita pelo secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, como um “ponto de virada definitivo na postura de dissuasão da Aliança”.
Por que a OTAN está elevando os gastos?
Pressão da Rússia e incertezas globais
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, os países europeus intensificaram suas preocupações com a segurança territorial. O novo compromisso reflete esse temor, especialmente entre membros do flanco leste, como Polônia, Estônia e Lituânia, que há anos pressionam por reforços.
“A Rússia é hoje a maior ameaça à nossa segurança coletiva”, afirmou Rutte, destacando que a nova meta inclui investimentos em forças armadas, cibersegurança, infraestrutura crítica e logística.
Trump reaparece e muda o jogo
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou da cúpula como convidado especial e foi aplaudido por diversos líderes, especialmente após declarar que a nova meta é uma “vitória para o Ocidente e para a força militar como dissuasão real”.
Trump também criticou duramente a Espanha, que pediu isenção da meta por dificuldades fiscais. “Se não contribuem, talvez não mereçam os benefícios da Aliança”, disse ele, alimentando discussões nas redes sobre uma possível ruptura com membros mais resistentes.
Críticas internas e temores econômicos
Europa dividida sobre o impacto financeiro
Nem todos os membros celebraram o novo plano. Alemanha, Bélgica e Itália expressaram receio com o impacto nas contas públicas e na aprovação popular. O compromisso exigirá centenas de bilhões de euros adicionais por ano, o que pode gerar impasses nos parlamentos nacionais e aumento de impostos, segundo analistas.
Além disso, críticas foram direcionadas à possibilidade de países “inflarem” os gastos com defesa incluindo obras de infraestrutura civil, como pontes e estradas, nos relatórios da OTAN.
Moscou reage e aumenta o tom
Kremlin denuncia “provocação armada”
Em resposta, o governo russo declarou que o aumento dos investimentos é “uma escalada artificial criada pelo Ocidente” e que “a OTAN prepara o terreno para uma nova corrida armamentista”. O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que Moscou tomará medidas proporcionais caso perceba ameaças diretas às suas fronteiras, reacendendo o temor de novos conflitos na região do Báltico.
O que dizem os analistas e as redes sociais?
Apoio e críticas se dividem online
Nas redes sociais, o anúncio gerou polarização. Usuários pró-defesa elogiaram a decisão como um “necessário reforço” contra a expansão russa. Por outro lado, ativistas progressistas e ambientalistas criticaram o plano, dizendo que os recursos poderiam ser destinados à crise climática e à pobreza.
Internamente, o retorno de Trump ao protagonismo militar foi recebido com surpresa por setores democratas e reforçou especulações sobre sua estratégia internacional para 2025, caso vença novamente as eleições presidenciais nos Estados Unidos.
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