Brasileiras foragidas são capturadas nos Estados Unidos
Fugitivas do 8/1 presas nos EUA: Quatro mulheres, foragidas da Justiça brasileira por envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, foram presas ao tentar entrar nos Estados Unidos ilegalmente. A prisão ocorreu poucos dias após a posse do presidente Donald Trump, reacendendo debates sobre a extradição de envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília. A informação foi confirmada por fontes do Departamento de Imigração dos EUA (ICE) e pela Justiça brasileira.
As presas faziam parte de um grupo de militantes que havia fugido para a Argentina antes de tentarem ingressar nos Estados Unidos. Com mandados de prisão em aberto, elas agora aguardam extradição para o Brasil, onde deverão enfrentar a Justiça.
Como foi a prisão nos EUA?
As quatro mulheres foram detidas em diferentes ocasiões ao longo do mês de janeiro de 2025. Três delas foram capturadas em 21 de janeiro, em El Paso, Texas, enquanto a quarta foi detida dias antes, em Raymondville. Todas foram presas por tentarem entrar no país sem documentação legal, e agora estão sob custódia do ICE, aguardando a deportação.
O governo dos Estados Unidos tem acelerado processos de “expulsão imediata” para imigrantes ilegais, o que pode significar um retorno rápido das fugitivas ao Brasil. Segundo a Justiça brasileira, ao menos três delas já foram condenadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto a quarta ré possui mandados pendentes.
Quem São as Detidas?
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Rosana Maciel Gomes, 51 anos, de Goiânia (GO): Condenada a 14 anos de prisão por envolvimento nos ataques golpistas em Brasília. A defesa alega que ela não danificou nenhum bem público, pois ficou “em estado de choque” durante os ataques.
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Raquel de Souza Lopes, 51 anos, de Joinville (SC): Condenada a 17 anos de prisão. Ela nega ter participado da destruição de bens públicos no 8 de Janeiro.
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Michely Paiva Alves, 38 anos, comerciante de Limeira (SP): Ainda não julgada pelo Supremo. É ré, acusada de financiar e organizar o deslocamento de um ônibus com 30 pessoas do interior paulista até Brasília para os ataques de 8 de Janeiro. A defesa afirmou que não há provas de que ela tenha depredado o Congresso Nacional.
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Cristiane da Silva, 33 anos, de Balneário Camboriú (SC): Trabalhava como garçonete. Condenada a um ano de prisão por associação criminosa e incitação ao crime. A defesa alega que ela viajou a Brasília apenas “para passear” e que não estava envolvida nos atos.
O que acontecerá após a deportação?
O STF deve incluir as fugitivas no grupo de mais de 200 condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. As penas variam de 14 a 17 anos de prisão para crimes como tentativa de golpe de Estado, formação de quadrilha e dano ao patrimônio público.
A defesa das presas deve alegar perseguição política, mas juristas afirmam que as decisões do STF são baseadas em evidências concretas, incluindo vídeos, mensagens e documentos que comprovam o envolvimento das rés no ataque ao Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal.
Repercussão e especulações
A prisão das fugitivas gerou grande repercussão nas redes sociais, com especulações sobre possíveis conluios políticos. Alguns apoiadores de extrema direita alegam que as detenções fazem parte de uma perseguição, enquanto outros questionam se Trump interviria no caso.
No entanto, especialistas apontam que o presidente dos EUA tem adotado uma postura pragmática sobre imigração ilegal, o que reduz qualquer chance de apoio a foragidos estrangeiros. “Trump sempre defendeu deportações rápidas, e isso não mudará apenas porque se trata de brasileiras”, afirmou um analista político à CNN Brasil.
Futuro das presas: qual será o desfecho desse caso?
Com a pressão internacional e o compromisso do Brasil em punir os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, a extradição das fugitivas parece uma questão de tempo. A Justiça brasileira segue monitorando outros foragidos que ainda se escondem em países como Argentina, Colômbia e Paraguai.